Governo projeta crescimento de 2,56% do PIB e inflação de 3,04% em 2027
PLDO enviado ao Congresso traz estimativas para os principais indicadores da economia até 2030, com queda gradual da Selic e estabilidade da inflação
247 – O governo federal projeta que a economia brasileira crescerá 2,56% em 2027, segundo o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) do próximo ano, divulgado pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e noticiado pelo jornal Valor Econômico. O texto será encaminhado ao Congresso Nacional e apresenta as estimativas oficiais para os principais indicadores macroeconômicos do país até 2030.
De acordo com os números apresentados, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar em 3,04% em 2027. Para os anos seguintes, a projeção do governo aponta estabilidade em 3% ao ano entre 2028 e 2030, sinalizando uma expectativa de controle inflacionário dentro de uma trajetória considerada administrável pela equipe econômica.
As projeções para o Produto Interno Bruto também indicam continuidade do crescimento nos anos posteriores. Para 2028, a estimativa é novamente de expansão de 2,56%. Em 2029, o avanço previsto é de 2,59%, enquanto em 2030 o crescimento deve alcançar 2,66%. A leitura do governo é de que a economia brasileira seguirá em trajetória positiva, ainda que em ritmo moderado.
No campo dos índices de preços, o governo também projetou variações para outros indicadores relevantes. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) deve registrar alta de 3,06% em 2027. Para 2028, 2029 e 2030, a estimativa é de 3% em cada ano. Já o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), tem previsão de 4% em 2027 e de 3,8% entre 2028 e 2030.
Outro dado destacado no PLDO é a previsão para a massa salarial. Segundo o texto, a alta esperada é de 11,19% em 2027. Para 2028, a estimativa recua levemente para 11,08%. Em 2029, o avanço projetado é de 11,06%, enquanto em 2030 a previsão volta a subir marginalmente, para 11,12%. O indicador é observado como um termômetro importante do comportamento da renda e do dinamismo do mercado de trabalho.
No cenário traçado pelo governo, a taxa básica de juros também deve seguir uma trajetória de redução gradual nos próximos anos. A Selic média projetada para 2027 é de 10,55%. Em 2028, o percentual cairia para 9,27%, recuando depois para 8,27% em 2029 e 7,27% em 2030. A estimativa reforça a perspectiva de um ambiente monetário menos restritivo ao longo do período.
Em relação ao câmbio, o governo trabalha com uma taxa média de R$ 5,47 por dólar em 2027. Para 2028, a projeção é de R$ 5,45. Em 2029, o valor médio subiria para R$ 5,50, chegando a R$ 5,53 em 2030. A oscilação prevista é pequena, mas mostra a expectativa de manutenção de um dólar em patamar ainda elevado nos próximos anos.
O PLDO também traz estimativas para o mercado internacional de petróleo. Segundo os cálculos do governo, o preço médio do barril deve ficar em US$ 67,69 em 2027. Para 2028, a previsão é de US$ 66,60. Em 2029, o valor subiria para US$ 66,92, alcançando US$ 67,44 em 2030. O comportamento dessa variável é relevante por seus impactos sobre inflação, custos de produção e contas externas.
Ao consolidar essas projeções, o governo apresenta ao Congresso um cenário de crescimento contínuo, inflação relativamente estável, redução progressiva dos juros e manutenção de variáveis estratégicas em níveis considerados compatíveis com a condução da política econômica. O PLDO funciona como uma peça central do planejamento fiscal e orçamentário, servindo de base para a formulação do Orçamento e para a definição de metas do setor público.
As estimativas, no entanto, também serão acompanhadas de perto por agentes econômicos, parlamentares e pelo mercado, já que o comportamento efetivo da economia dependerá de fatores internos e externos, como o ritmo da atividade global, a dinâmica cambial, os preços das commodities e as decisões de política monetária ao longo dos próximos anos.


