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Petróleo cai à mínima em três meses após Trump anunciar acordo para reabrir Estreito de Ormuz

Brent e WTI recuam quase 5% com expectativa de retomada dos fluxos globais de energia e possível aumento da oferta no mercado internacional

Miniaturasmodelos impressos em 3D de bombas de petróleo, bandeira do Irã e gráfico de alta da bolsa (Foto: Dado Ruvic/Reuters)
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247 – Os preços internacionais do petróleo fecharam em forte queda nesta segunda-feira (15), atingindo o menor nível em três meses, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington e Teerã assinaram um memorando de entendimento com o objetivo de pôr fim à guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.

As informações são da Reuters, em reportagem de Georgina McCartney, de Houston, com colaboração de Seher Dareen, Anushree Mukherjee, Florence Tan, Emily Chow e Stephanie Kelly. Segundo a agência, os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em queda de US$ 4,16, ou 4,76%, a US$ 83,17 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência dos Estados Unidos, encerrou o dia a US$ 80,75, com baixa de US$ 4,13, ou 4,87%.

A queda expressiva refletiu a retirada de boa parte do prêmio de risco associado à guerra, acumulado ao longo dos últimos meses. Tanto o Brent quanto o petróleo norte-americano encerraram a sessão nos menores patamares desde 4 de março.

Acordo prevê cerimônia em Genebra

De acordo com uma autoridade norte-americana citada pela Reuters, o memorando de entendimento foi assinado por Trump, pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf. A cerimônia oficial de assinatura do acordo está prevista para sexta-feira, em Genebra.

A agência de notícias semioficial iraniana Mehr informou que o rascunho do acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias, sob os termos estabelecidos pelo Irã.

O Estreito de Ormuz é uma das passagens mais estratégicas do comércio mundial de energia. A hidrovia é considerada um ponto de estrangulamento para cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito. Seu fechamento por mais de três meses retirou milhões de barris de petróleo e gás do mercado internacional, elevando preços e ampliando a volatilidade.

Mercado vê possível avalanche de oferta

A sinalização de reabertura provocou uma onda imediata de vendas nos mercados futuros. Para Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da Bok Financial, o movimento dos investidores reflete a expectativa de retorno de volumes relevantes ao mercado.

"Com uma avalanche de oferta de petróleo muito provavelmente a caminho, a onda de vendas parece justificada", afirmou Kissler à Reuters.

O Citi também revisou suas projeções para o petróleo Brent. O banco reduziu suas estimativas médias para US$ 75 por barril no terceiro trimestre de 2026 e US$ 70 por barril no quarto trimestre, citando a expectativa de retomada e normalização dos fluxos comerciais pelo Estreito de Ormuz.

Apesar do alívio imediato nos preços, ainda há dúvidas sobre a velocidade com que os barris poderão voltar ao mercado. A interrupção prolongada afetou rotas marítimas, cadeias logísticas, seguros, produção e exportações em países do Oriente Médio.

Retomada pode ser lenta e desigual

Neil Crosby, chefe de pesquisa da Sparta Commodities, alertou que a normalização operacional no Golfo Árabe poderá enfrentar obstáculos relevantes.

"Será difícil colocar a cadeia de abastecimento de navios em funcionamento e fazer com que as operações sejam retomadas sem problemas no Golfo Árabe. E alguns armadores hesitarão em navegar em direção ao Golfo Árabe até que tenhamos notícias das seguradoras", disse Crosby.

Os investidores acompanham, com cautela, a capacidade dos produtores do Oriente Médio de retomar a produção e as exportações após os danos causados pela guerra. Também há incertezas sobre a disposição de armadores e seguradoras em autorizar imediatamente novas viagens para a região.

Segundo o relatório mais recente da Agência Internacional de Energia, mais de 14 milhões de barris por dia de produção de petróleo permanecem paralisados, o equivalente a cerca de 14% da demanda mundial. Autoridades do setor afirmam que o retorno completo aos níveis de produção e refino anteriores à guerra poderá levar semanas, meses ou até anos.

Estoques baixos podem sustentar preços no longo prazo

Embora o anúncio do memorando tenha derrubado os preços no curto prazo, analistas avaliam que fatores estruturais ainda podem impedir uma queda mais profunda e prolongada. Entre eles estão os baixos estoques globais, a complexidade de reiniciar a produção e a necessidade de recompor reservas estratégicas.

Giovanni Staunovo, analista do UBS, afirmou que esses elementos devem sustentar os preços do petróleo no longo prazo. A Administração de Informação Energética dos Estados Unidos aponta que os estoques nas maiores economias do mundo caminham para os menores níveis desde pelo menos 2003, após terem sido reduzidos em ritmo recorde pela perda de produção no Golfo.

A combinação entre expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz, normalização gradual das rotas energéticas e incertezas sobre a velocidade de retomada da produção coloca o mercado de petróleo em uma nova fase: menos pressionado pelo prêmio de guerra, mas ainda vulnerável aos gargalos logísticos e à recomposição dos estoques globais.

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