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PF investiga grupo Fictor, que fez proposta de compra do Banco Master

Inquérito investiga suspeitas de crimes financeiros e ocorre após pedido de recuperação judicial de R$ 4 bilhões

Sede do Grupo Fictor (Foto: Divulgação/Fictor)

247 - A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar o Grupo Fictor por suspeitas de uma série de crimes financeiros, após a empresa ter anunciado uma proposta para comprar o Banco Master. Entre os delitos apurados estão gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, emissão de títulos sem lastro e a possível operação de instituição financeira sem autorização.

A informação foi divulgada pelo blog do jornalista Valdo Cruz, no G1, que relata que o grupo já vinha sendo alvo de apurações preliminares e que a PF decidiu aprofundar as investigações diante do surgimento de indícios concretos de irregularidades.

No domingo (1º), o Grupo Fictor protocolou um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. Segundo a própria companhia, a iniciativa busca “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, que totalizam cerca de R$ 4 bilhões.

O avanço das investigações ocorre em um contexto de crise envolvendo o Banco Master. Em 18 de novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra a instituição, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do banco. À época, Vorcaro afirmou que negociava a venda do Master ao Grupo Fictor, em parceria com investidores árabes.

Apesar da alegação, o Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central, sob suspeita de fraude financeira e ausência de garantias para os produtos oferecidos ao mercado. Vorcaro sustenta que a liquidação foi precipitada, uma vez que a venda ao Fictor estaria em negociação. A instituição também é investigada por possíveis irregularidades na oferta de crédito consignado a milhares de aposentados e pensionistas.

O Banco Central, no entanto, classificou o anúncio da negociação como uma “cortina de fumaça”. Segundo a autoridade monetária, o Grupo Fictor não teria capacidade financeira para adquirir o banco, os supostos investidores árabes nunca foram identificados publicamente e a negociação teria sido montada às pressas para tentar retardar ações do próprio BC e da Polícia Federal contra o Master.

O Grupo Fictor, por sua vez, relaciona sua atual crise de liquidez diretamente ao episódio envolvendo o Banco Master. De acordo com a empresa, na noite anterior à liquidação, representantes do banco procuraram o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, para tratar das negociações. Nesse momento, porém, uma operação da Polícia Federal já estava em andamento, e a decisão de liquidar o banco no dia seguinte já havia sido tomada.

Em nota, a Fictor afirma que os desdobramentos do caso tiveram impacto direto sobre sua atuação no mercado. “Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, declarou a companhia.

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