Relação Brasil-EUA volta à normalidade, diz Haddad após suspensão do tarifaço
Ministro diz que suspensão de tarifas melhora ambiente entre Brasil e EUA, mas que é que é necessário esperar “os próximos passos" do governo estadunidense
247 - A suspensão das tarifas recíprocas globais impostas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela Suprema Corte estadunidense deve contribuir para a retomada da normalidade nas relações entre Brasil e Estados Unidos. A avaliação foi feita neste sábado (21) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante agenda oficial na Índia, onde integra a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Vamos ver quais vão ser os próximos passos do governo americano. Mas, independentemente da reação do executivo à decisão do Judiciário lá, nós temos certeza que estamos construindo uma ponte robusta para restabelecer a normalidade das nossas relações”, disse o ministro, de acordo com O Globo.
Suspensão de tarifas e impacto comercial
Haddad também ressaltou o histórico diplomático entre os dois países. “Vamos restabelecer condições de normalidade, uma vez que nós entendemos que os 200 anos de amizade que unem os nossos países não podem ser comprometidos por razões ideológicas”, afirmou.
O ministro ponderou que ainda é necessário aguardar para compreender “o alcance” da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos. Segundo ele, independentemente da reação do governo Trump, o Brasil manterá a estratégia de buscar soluções por meios jurídicos e diplomáticos.
Sobre a aplicação de uma nova tarifa de 10%, anunciada por Trump, Haddad avaliou que a medida não compromete a competitividade brasileira, já que atinge todos os países. “Nossa competitividade não é afetada, como já não era. Nós dissemos desde sempre que isso ia prejudicar o consumidor americano, que no café da manhã, no almoço e na janta consome produtos brasileiros. Eles foram paulatinamente revendo as tarifas sobre vários produtos, sobretudo esses de consumo de massa, mas nós já tínhamos a percepção de que íamos chegar a bom termo”, disse.
Agenda internacional e diálogo bilateral
As declarações ocorreram durante o discurso de abertura do encontro empresarial Brasil-Índia, realizado em Nova Délhi, que reuniu mais de 800 participantes dos dois países. A agenda integra a visita oficial de Lula ao país asiático, encerrada neste sábado com encontro com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. No domingo (22), o presidente segue para Seul, capital da Coreia do Sul.
Ao comentar a relação com Washington, Haddad afirmou que o Brasil busca parcerias equilibradas em todas as frentes diplomáticas. Lula deve viajar aos Estados Unidos em março para um encontro com Trump.
“Tudo o que nós queremos é, em relação à Ásia, em relação à Europa, em relação aos Estados Unidos, ter parcerias maduras, com vantagens mútuas. Não pode ser bom para um lado e ruim para o outro. O Brasil é grande demais para ser o quintal de quem quer que seja. Nós temos que ser parceiros do mundo todo”, declarou.
Ele também mencionou o acordo fechado com a União Europeia e o esforço brasileiro de ampliar sua inserção no cenário internacional. “Nós fechamos o acordo com a União Europeia, que também está com dificuldades internas na Europa, mas isso tudo vai sendo superado e o Brasil vai inserindo a sua economia num contexto de multilateralismo, de paz, de cooperação, de troca. Eu sou otimista em relação ao futuro do Brasil, do ponto de vista geopolítico”, afirmou o ministro.


