TCU autoriza acesso de BC e MPF a relatório técnico sobre liquidação do Banco Master
Ministro Jhonatan de Jesus libera consulta a relatório, que não aponta falhas na atuação do Banco Central
247 - O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus autorizou, nesta sexta-feira (13), o Banco Central (BC) e o Ministério Público Federal (MPF) a acessarem o relatório técnico elaborado pela Audbancos, unidade especializada da Corte, sobre a atuação do BC no processo que resultou na liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025. A decisão ocorre após solicitação formal dos dois órgãos, que pediram permissão para consultar o material produzido após uma inspeção conduzida por técnicos do tribunal, informa o jornal O Globo.
A liberação do documento ocorre em um contexto de maior restrição de acesso dentro do processo, já que o nível de sigilo havia sido elevado nesta semana, tornando necessária a autorização do ministro-relator para que outras instituições pudessem analisar o conteúdo. Segundo informações já divulgadas, o relatório técnico não identificou irregularidades ou problemas na conduta do Banco Central durante o procedimento que culminou na liquidação da instituição financeira.
A inspeção conduzida pela Audbancos, no entanto, vinha sendo alvo de críticas e gerou desconforto no mercado e também no próprio BC. O ministro Jhonatan de Jesus passou a ser questionado após determinar a realização do trabalho de auditoria, movimento interpretado por alguns agentes como possível tentativa de interferência na atuação da autoridade monetária.
O ministro negou a interlocutores que tivesse qualquer intenção de interferir no Banco Central e sustentou que a iniciativa estaria dentro das atribuições regulares do TCU, além de fazer parte da rotina de fiscalização do órgão. Ainda assim, diante das preocupações levantadas, o tema foi discutido entre representantes do tribunal e do Banco Central.
Após uma reunião entre as instituições, foi firmado um entendimento para que a inspeção fosse conduzida exclusivamente pela Audbancos, com a adoção de medidas adicionais para evitar riscos relacionados ao sigilo bancário e ao sigilo judicial. O objetivo, segundo o acordo, foi garantir que a apuração ocorresse com cautela e sem gerar interferências indevidas em informações protegidas por lei.
Com a autorização formal agora concedida, BC e MPF poderão analisar diretamente o relatório técnico e avaliar os resultados apresentados pela área especializada do tribunal, ampliando o acompanhamento institucional sobre o caso que envolveu a liquidação do Banco Master e os desdobramentos regulatórios e jurídicos associados ao episódio.


