Mendonça acumula relatorias dos casos INSS e Master e preocupa o centrão
Ministro do STF assume dois processos ligados a suspeitas de fraudes financeiras e que podem atingir políticos com foro
247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça passou a acumular duas relatorias que envolvem suspeitas de fraudes atribuídas ao Banco Master, em investigações relacionadas tanto ao sistema financeiro quanto a descontos indevidos em benefícios pagos pelo INSS, relata Valdo Cruz, do G1.
Os dois casos têm ligação direta, já que há suspeitas de irregularidades praticadas pelo banco em diferentes frentes. A concentração das relatorias nas mãos de Mendonça agradou integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, mas aumentou a tensão em setores do centrão, que temem o avanço das apurações.
A avaliação do presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), é de que a nova configuração pode ampliar o respaldo do Supremo aos trabalhos da comissão. Para ele, o fato de Mendonça assumir também o inquérito envolvendo o Banco Master pode garantir mais apoio institucional do STF às investigações em andamento.
Um dos pontos centrais da disputa envolve documentos sigilosos relacionados ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master. O ministro Dias Toffoli havia retirado esse material da CPMI, transferindo os documentos ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Agora, integrantes da comissão apostam que André Mendonça poderá devolver os dados à CPMI, permitindo que o colegiado tenha acesso às informações e aprofunde as apurações.
O ministro tem adotado uma postura descrita como técnica no caso envolvendo as fraudes do INSS, reforçando o andamento das investigações. Por isso, integrantes da CPMI esperam que ele mantenha o mesmo comportamento no comando do inquérito do Banco Master, ampliando o rigor e o alcance das apurações.
Nos próximos passos, Mendonça deverá decidir se as investigações sobre as suspeitas de fraudes bancárias continuarão tramitando no STF ou se serão devolvidas à Justiça Federal. Antes disso, ele deve analisar um relatório que será encaminhado pela Polícia Federal, contendo nomes de autoridades com foro privilegiado identificados em conversas envolvendo Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel.
É justamente esse relatório, ainda em elaboração, que tem provocado preocupação entre lideranças do centrão. A possibilidade de que políticos com influência e relações anteriores com Vorcaro e Zettel sejam citados pode ampliar o desgaste do grupo e gerar novos desdobramentos no Congresso.
Parlamentares também destacam que Davi Alcolumbre indicou nomes para o comando do fundo de pensão do Amapá, alvo de investigação da Polícia Federal por ter comprado títulos do Banco Master. O episódio reforça a dimensão política do caso e amplia a pressão sobre as articulações envolvendo o banco.
O histórico entre Alcolumbre e Mendonça também voltou a ser lembrado nos bastidores. O presidente do Senado, enquanto presidente da CCJ no passado, segurou a sabatina do ministro por cinco meses, em um movimento interpretado como tentativa de barrar sua indicação. Pessoas próximas a Mendonça recordam que ele precisou suportar forte pressão até ter seu nome aprovado pelo Senado, o que acabou ocorrendo após o período de resistência.
Com a acumulação das duas relatorias, André Mendonça se torna peça central em um conjunto de investigações que envolve suspeitas de fraudes no INSS, possíveis irregularidades bancárias e impactos diretos sobre o equilíbrio político no Congresso, sobretudo entre os setores do centrão que acompanham com apreensão os próximos passos da Polícia Federal e do STF.


