Trump diz não planejar demissão de Jerome Powell, do Fed
Presidente dos Estados Unidos afirma que ainda é cedo para decidir sobre futuro do comando do Federal Reserve
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não pretende demitir o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, apesar da investigação criminal aberta pelo Departamento de Justiça sobre a condução de um projeto de reforma da sede da instituição, em Washington. Segundo Trump, qualquer decisão sobre o futuro do chefe do banco central ainda está em avaliação e não será tomada de forma imediata.
Em entrevista concedida à agência Reuters, Trump declarou que não há, neste momento, um plano para afastar Powell do cargo. “Eu não tenho nenhum plano de fazer isso”, afirmou ao ser questionado diretamente sobre a possibilidade de demissão. O presidente acrescentou que a situação ainda está em análise: “Neste momento, estamos em uma espécie de compasso de espera com ele, e vamos determinar o que fazer. Mas não posso entrar em detalhes. É cedo demais”.
Jerome Powell revelou no último domingo que está sendo investigado por supostos excessos de custo em um projeto estimado em US$ 2,5 bilhões para a renovação de dois prédios históricos do complexo do Federal Reserve. O dirigente nega qualquer irregularidade e sustenta que a apuração estaria sendo usada como forma de pressão política, diante da resistência do banco central em reduzir as taxas de juros no ritmo defendido por Trump.
O mandato de Powell à frente do Federal Reserve termina em maio, embora ele possa permanecer no Conselho de Governadores da instituição até 2028. Ainda assim, Trump já sinalizou possíveis nomes para substituí-lo. Segundo o presidente, os favoritos são o ex-diretor do Fed Kevin Warsh e o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, foi descartado. “Os dois Kevins são muito bons”, disse Trump. “Há outras pessoas boas também, mas vou anunciar algo nas próximas semanas".
A investigação e a pressão pública exercida pela Casa Branca provocaram reações críticas de senadores do Partido Republicano, além de autoridades econômicas estrangeiras, investidores e ex-integrantes de governos de ambos os partidos nos Estados Unidos. Para esses grupos, a iniciativa pode representar uma politização indevida da política monetária e ameaçar a independência do Federal Reserve.
Trump, no entanto, rejeitou as críticas, inclusive as vindas de parlamentares cujo apoio será necessário para confirmar um eventual novo presidente do Fed. “Eu não me importo”, afirmou. “Eles deveriam ser leais. É isso que eu digo". O presidente também minimizou os alertas de analistas e formuladores de política econômica de que interferências no banco central poderiam enfraquecer o dólar e pressionar a inflação. “Eu não me importo”, repetiu.
Desde o início de seu novo mandato, Trump tem ampliado o confronto com o Federal Reserve e testado os limites do poder presidencial. Ele já tentou demitir outra dirigente da instituição, a governadora Lisa Cook, que contestou a decisão na Justiça. O caso será analisado pela Suprema Corte na próxima semana.
Ao defender maior influência da Casa Branca sobre a política monetária, Trump voltou a criticar pessoalmente Jerome Powell. “Um presidente deveria ter algo a dizer” sobre as decisões do Fed, afirmou à Reuters. “Ganhei muito dinheiro com negócios, então acho que entendo isso melhor do que o Jerome Powell ‘Sempre Atrasado’".


