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Empreendedor negro amplia presença e renda no Brasil

Levantamento do Sebrae aponta crescimento da escolaridade, avanço de empreendedores 60+ e alta de renda, apesar de desigualdades persistentes

Empreendedor negro amplia presença e renda no Brasil (Foto: Divulgação )

247 - Mais da metade dos donos de pequenos negócios no Brasil é formada por pessoas negras (pretos e pardos), segundo levantamento recente do Sebrae. Ao todo, esse grupo reúne 15,8 milhões de empreendedores e representa 52,3% do total no país, consolidando um avanço significativo ao longo dos últimos anos.

Os dados fazem parte da pesquisa “Empreendedorismo Negro no Brasil Sob a Ótica da PNAD Contínua”, divulgada pela Agência Sebrae de Notícias (ASN), que analisou o período entre o primeiro trimestre de 2012 e o quarto trimestre de 2025. O estudo revela que, em 13 anos, o número de empreendedores negros cresceu mais de 30%.

No mesmo intervalo, os empreendedores brancos somaram cerca de 14 milhões, o equivalente a 46,4% do total, com aumento de 21,7%. Apesar do crescimento em ambos os grupos, a expansão entre negros foi mais acelerada, ampliando sua participação relativa no universo dos pequenos negócios.

Perfil e escolaridade em alta

O levantamento traça também o perfil predominante do empreendedor negro no país. A maioria é do sexo masculino — dois em cada três — e está concentrada na faixa etária entre 30 e 49 anos, considerada o principal grupo ativo no empreendedorismo.

Um dos destaques da pesquisa é o avanço da escolaridade. A proporção de empreendedores negros com ensino médio completo subiu de 21,2% em 2012 para 36,7% em 2025. Já aqueles com ensino superior incompleto ou mais passaram de 5,9% para 17,2% no mesmo período.

Com isso, o ensino médio se tornou o nível educacional predominante entre os empreendedores negros, superando o ensino fundamental incompleto, que anteriormente liderava esse recorte.

Avanço dos 60+ e expansão regional

Outro dado relevante é o crescimento da participação de empreendedores com 60 anos ou mais. Esse grupo passou de 10,9% em 2012 para 13% em 2025, registrando a maior evolução proporcional entre as faixas etárias analisadas.

Em relação à distribuição geográfica, 72% dos empreendedores negros estão concentrados nas regiões Sudeste (38,5%) e Nordeste (33,5%). Ainda assim, é no Norte que se observa a maior taxa proporcional de empreendedorismo entre pessoas negras, com 18,1%.

No recorte setorial, o segmento de Serviços lidera, reunindo 42,4% dos empreendedores negros. O estudo também aponta que 55,9% deles são chefes de domicílio, índice superior ao observado entre empreendedores brancos (52,7%).

Renda cresce, mas desigualdade persiste

O rendimento médio habitual dos empreendedores negros apresentou crescimento de 23% nos últimos dez anos, passando de R$ 2.115 em 2015 para R$ 2.601 em 2025. Entre os brancos, o aumento foi maior, de 27,9%.

Apesar da evolução, a desigualdade permanece: a renda dos empreendedores negros equivale a cerca de 56% da recebida pelos brancos, evidenciando a persistência de disparidades estruturais no ambiente econômico.

“O ambiente dos pequenos negócios no Brasil ainda reflete desigualdades estruturais na inserção econômica”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares. “Acreditamos que o empreendedorismo é uma ferramenta de inclusão social e produtiva no nosso país. Investir em ações que criem oportunidades de renda para o público negro é construir um futuro mais inclusivo.”

O levantamento também mostra avanço na formalização previdenciária: a proporção de empreendedores negros que contribuem para a Previdência subiu de 18,1% em 2012 para 30,5% em 2025, indicando maior inserção em mecanismos de proteção social.

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