HOME > Entrevistas

"A pauta-bomba não é para o presidente Lula; é contra o povo brasileiro"

Reimont afirma que retirada da urgência do projeto sobre o fim da escala 6x1 faz parte de articulação para barrar medidas aprovadas pelo Senado

Reimont (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247-  A decisão do governo Lula de retirar a urgência constitucional do projeto que adapta a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ao fim da escala 6x1 foi interpretada pelo deputado federal Reimont (PT-RJ) como parte de uma negociação política mais ampla para impedir o avanço, na Câmara dos Deputados, de propostas aprovadas recentemente pelo Senado que, segundo ele, representam riscos para a população brasileira.

Em entrevista ao programa Bom Dia 247, Reimont afirmou que a retirada da urgência não significa abandono da pauta da redução da jornada de trabalho. Pelo contrário, segundo ele, trata-se de uma movimentação estratégica do governo para preservar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal e viabiliza o fim da escala 6x1, aprovada pela Câmara e atualmente sob análise do Senado.

"O Davi Alcolumbre está dizendo: 'eu vou fazer pautas-bomba para o presidente Lula'. A pauta-bomba não é para o presidente Lula. A pauta-bomba é a pauta-bomba do povo brasileiro", declarou.

A fala ocorre após a sinalização do Palácio do Planalto de que retirará a urgência constitucional do projeto de lei sobre a jornada de trabalho. A medida atende a um pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que argumentou que a Casa já havia cumprido sua parte ao aprovar a PEC do fim da escala 6x1. Caso a urgência fosse mantida, a pauta da Câmara continuaria travada para a votação de projetos de lei ordinários.

Segundo Reimont, o governo utilizou a urgência constitucional como instrumento de pressão política para conter matérias aprovadas pelo Senado na última semana. Com a abertura de negociações entre o Executivo e a presidência da Câmara, a avaliação é que essas propostas poderão perder força.

"O que ouço é que há uma negociação para que essas pautas-bomba aprovadas no Senado não avancem na Câmara dos Deputados", afirmou.

O parlamentar direcionou críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), acusando-o de utilizar a tramitação de projetos para pressionar o governo federal. Para Reimont, as consequências das medidas defendidas por setores do Congresso atingem diretamente a população mais pobre.

"Você não está bombardeando o Palácio do Planalto. Você está bombardeando a vida do povo brasileiro", disse.

Na avaliação do deputado, o impacto dessas propostas não se restringe ao debate fiscal. Ele argumenta que eventuais perdas de arrecadação ou aumento de despesas podem comprometer políticas públicas e afetar a renda dos trabalhadores.

"Estamos falando da comida na mesa do trabalhador, da possibilidade de o trabalhador pegar um ônibus, educar seus filhos e ter um lugar para morar", afirmou.

Ao mesmo tempo, Reimont demonstrou confiança na continuidade da tramitação da PEC que reduz a jornada de trabalho. O deputado afirmou que a pressão popular tende a aumentar sobre o Senado e que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, terá dificuldades para manter o texto paralisado.

Segundo ele, parlamentares favoráveis à proposta já articulam mobilizações para garantir que a matéria seja colocada em votação antes do recesso parlamentar.

"A gente vai começar a fazer manifestações populares nesse período agora para emparedar o Alcolumbre. Ele não continuará com a pauta da PEC do fim da escala 6x1 na gaveta", declarou.

Para Reimont, a retirada da urgência do projeto da CLT não representa um recuo do governo na defesa da redução da jornada de trabalho. Na sua avaliação, a medida faz parte de uma negociação destinada a impedir o avanço de propostas consideradas prejudiciais ao interesse público, ao mesmo tempo em que preserva as condições políticas para a aprovação definitiva do fim da escala 6x1 no Senado.

Artigos Relacionados