HOME > Entrevistas

Attuch diz que Lula é favorito, muito superior aos adversários e, por isso mesmo, deve evitar debates no primeiro turno

Em entrevista ao podcast Aonde Vamos?, fundador do Brasil 247 avalia que presidente deve preservar vantagem política e intelectual na disputa de 2026

Attuch diz que Lula é favorito, muito superior aos adversários e, por isso mesmo, deve evitar debates no primeiro turno (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 – O jornalista Leonardo Attuch, fundador do Brasil 247, afirmou que o presidente Lula é favorito na eleição de 2026, tem ampla superioridade sobre seus adversários e, justamente por isso, deveria evitar debates no primeiro turno. A declaração foi feita em entrevista à jornalista Regina Lima, do podcast Aonde Vamos?, em conversa sobre eleições, comunicação política, mídia, governo Lula 3, extrema direita e os desafios do campo progressista.

Lula como “grande ativo brasileiro”

Attuch entrevistou o presidente Lula recentemente e destacou a vitalidade do presidente. “Eu senti ele muito bem, com muita energia, com muita força, com muita vitalidade”, afirmou.

Para o jornalista, Lula continua sendo o principal nome da política brasileira. “Ele é o grande ativo brasileiro”, disse, ao defender que o presidente preserve sua energia e aposte mais em comunicação digital.

Por que evitar debates no primeiro turno

Ao analisar a disputa presidencial, Attuch afirmou que Lula tem grande vantagem sobre os adversários.

“Essa eleição, de certa maneira, vai ser uma barbada para ele, porque a distância é muito grande, a distância intelectual dele em relação ao principal oponente”, declarou, em referência a Flávio Bolsonaro.

Por isso, ele defendeu que Lula não participe de debates no primeiro turno.

“Eu acho que no primeiro turno o Lula não deve se expor a nenhum debate. Não vejo nenhum sentido ele entrar nesses debates como saco de pancada de Renan Santos, de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Segundo Attuch, a ausência de Lula obrigaria os nomes da direita a disputarem espaço entre si. “Eles vão ter que brigar entre eles para ver quem passa pro segundo turno – e isso se houver segundo turno”, disse.

Campanha digital e diálogo com a sociedade

Attuch também afirmou que Lula deveria comunicar melhor os resultados econômicos e industriais de seu governo, especialmente para a classe média, empresários e setores produtivos.

Ele citou como exemplo a compra de aviões da Embraer pela Latam, que, segundo ele, foi resultado de pressão política de Lula em defesa da indústria nacional.

“São histórias assim que eu acho que o Lula deveria contar didaticamente”, afirmou.

Flávio Bolsonaro, Caiado e a direita

Sobre a direita, Attuch avaliou que Flávio Bolsonaro tem força eleitoral por carregar o sobrenome Bolsonaro, mas apontou limitações políticas e intelectuais.

Ao comentar sobre Ronaldo Caiado, disse que a promessa de anistiar bolsonaristas tem uma lógica eleitoral: tentar capturar o voto da base de Jair Bolsonaro.

“Ele quis dizer o seguinte: ‘Olha, bolsonarista, já vou resolver o problema do "mito" de vocês’”, afirmou.

Mídia e projeto nacional

Na entrevista, Attuch também criticou o papel da mídia tradicional no Brasil e defendeu que o país invista mais na comunicação pública.

“Os meios de comunicação são instrumentos da dominação internacional sobre o Brasil”, afirmou.

Attuch também defende que Lula poderia apresente um projeto estratégico para as próximas décadas, mesmo enfrentando resistência da oposição e dos grandes grupos de mídia.

Pós-Lula

Attuch apontou ainda Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal, e Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo, como os dois principais nomes do campo progressista para o período posterior a Lula.

“Os dois grandes quadros políticos do Brasil para o pós-Lula são o Flávio Dino e Fernando Haddad”, disse.

Ele também destacou Aloizio Mercadante, atual presidente do BNDES, como um quadro preparado, embora menos lembrado nas especulações eleitorais.

Artigos Relacionados