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Breno Altman alerta que eleição de 2026 será “duríssima” e vê queda na aprovação de Lula como principal preocupação

Jornalista avalia que disputa contra o bolsonarismo tende a ser acirrada e afirma que governo precisa superar comunicação celebrativa

Luiz Inácio Lula da Silva e Breno Altman (Foto: Ricardo Stuckert (Palácio do Planalto)/Reprodução)

247 – O jornalista Breno Altman afirmou que a eleição presidencial de 2026 tende a ser “muito disputada” e alertou que a queda na popularidade do governo Lula é hoje o fator político mais preocupante para o campo progressista. Em entrevista ao programa Bom Dia 247, da TV 247, Altman avaliou pesquisas recentes, criticou o excesso de celebração na comunicação do governo e defendeu que o presidente Lula precisa responder ao sentimento antissistema que cresce em parte do eleitorado.

Segundo Altman, a tendência das pesquisas é clara: “uma eleição muito disputada e muito disputada, uma eleição polarizada entre direita e esquerda”.

Para ele, qualquer nome do campo bolsonarista tende a concentrar praticamente o mesmo volume de votos contra Lula. “Não importa se for Bolsonaro, se for qualquer um, tende a ter a mesma massa de votos contra Lula”, afirmou.

Altman comparou a disputa ao antigo “fotochart”: “A eleição vai ser disputada de acordo com aquele tango do Gardel, por uma cabeça, vai ser no fotochart, como se dizia antigamente, muito, muito, muito disputada”.

Queda de popularidade preocupa mais que rejeição

O jornalista disse acompanhar com mais atenção institutos como Datafolha, Quaest, Ipec e Atlas Intel. Sobre a pesquisa BTG/Nexus, afirmou que ela está alinhada à tendência geral de acirramento.

Mas, para Altman, pesquisas eleitorais feitas meses antes da campanha têm valor limitado. O ponto central, afirmou, é a avaliação do governo.

“A pesquisa de popularidade é relevante. E a queda de popularidade do governo Lula, eu acho que é o fator de maior preocupação”, disse.

Ele apontou uma contradição entre os indicadores econômicos e o sentimento social: desemprego baixo, crescimento moderado, recuperação de programas sociais e retirada do Brasil do Mapa da Fome não estariam se traduzindo em apoio político proporcional.

Comunicação celebrativa e defensiva

Altman afirmou que há um problema na comunicação do governo, mas ponderou que ele não é apenas técnico.

“A comunicação do governo é defensiva”, disse. Segundo ele, as peças publicitárias são de alta qualidade, mas excessivamente celebrativas.

“Se a propaganda bate de frente com a sua experiência concreta, as pessoas vão ficar com a sua experiência concreta”, afirmou.

Para o jornalista, o governo deveria adotar uma narrativa mais modesta e politizadora, explicando a herança recebida e os limites enfrentados.

“Nós pegamos o país destruído. O que nós avançamos, a gente sabe que é pouco, porque nós tivemos que nos dedicar esses primeiros anos para reconstruir o país”, sugeriu como linha de comunicação.

Gradualismo de Lula não empolga parte do eleitorado

Altman avaliou que o principal problema é político. Segundo ele, o governo Lula adota uma estratégia gradualista, baseada em consensos prévios, enquanto parte da sociedade deseja respostas mais rápidas e disruptivas.

“O gradualismo se exauriu, as pessoas não querem soluções graduais, elas nem sabem o que querem, mas certamente elas desejam ruptura”, afirmou.

Ele citou temas como terras raras e escala 6x1 como exemplos de pautas que poderiam mobilizar a sociedade, mas avançam lentamente.

“Terras raras tem uma bola quicando, uma necessidade nacional e um discurso que pode empolgar o país, que é a imediata criação da TerraBras”, disse.

Disputa pelo sentimento antissistema

Altman afirmou que a extrema direita consegue capturar o sentimento de revolta social mesmo sem apresentar soluções reais.

“O fascismo atrai as pessoas pela vontade disruptiva, pela vontade de chutar o pau da barraca”, disse.

Para ele, a esquerda não pode enfrentar esse fenômeno apenas com racionalidade programática.

“A esquerda não consegue lidar com essa situação apenas com um programa racional bem pensado, passo a passo. Ela tem que disputar essa vontade disruptiva”, afirmou.

O jornalista concluiu que o governo Lula é superior aos governos Temer e Bolsonaro, mas não tem conseguido mobilizar emocionalmente sua base.

“A base do petismo não está mobilizada. Ela sabe que Lula é muito melhor que Bolsonaro e que é necessário evitar o retorno do bolsonarismo a qualquer custo, mas ela não está animada, ela não está engajada, ela não está convocada”, disse.

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