“Criação da TerraBrás é uma bola quicando que o governo deveria aproveitar”, diz Breno Altman
Jornalista defende que Lula transforme o debate sobre terras raras em bandeira de soberania nacional e critica lentidão do governo em pautas estratégicas
247 – O jornalista Breno Altman afirmou que a criação da TerraBrás, estatal voltada à defesa dos minerais estratégicos brasileiros, é uma oportunidade política e econômica que o governo Lula deveria aproveitar com urgência. Em entrevista ao programa Bom Dia 247, da TV 247, Altman disse que o tema das terras raras está há mais de um ano na agenda nacional, mas ainda não foi transformado em uma política pública capaz de mobilizar a sociedade.
“Uma bola quicando”
Ao analisar a estratégia política do governo, Altman afirmou que há pautas com grande potencial de mobilização popular, mas que avançam lentamente por causa do gradualismo adotado pelo Planalto.
“Terras raras tem uma bola quicando, uma necessidade nacional e um discurso que pode empolgar o país, que é a imediata criação da TerraBrás, como um passo de defesa do desenvolvimento brasileiro, como um passo de defesa da nossa soberania e, claro, como uma demarcação política ideológica em relação à direita”, disse.
Segundo ele, o governo tem preferido estudar, negociar e buscar consensos antes de apresentar medidas mais ousadas.
“Mas não avança. Tudo está em estudos. Tudo está sendo investigado. Tudo é lento”, criticou.
Soberania e desenvolvimento
Altman defendeu que a criação da TerraBrás permitiria ao governo disputar o debate sobre soberania nacional em um momento de crescente interesse internacional pelos minerais críticos.
Para ele, a pauta poderia funcionar como uma bandeira estratégica, capaz de diferenciar Lula da direita e recolocar o Estado no centro do planejamento do desenvolvimento.
O jornalista comparou a lentidão do governo em relação às terras raras com outros temas de grande apelo social, como o fim da escala 6x1.
Crítica ao gradualismo
Altman afirmou que o governo Lula adota uma estratégia baseada em consensos prévios: só apresenta projetos quando acredita já ter costurado apoio suficiente no Congresso, no empresariado e nos movimentos sociais.
Na avaliação dele, essa lógica tornou o governo lento diante de uma sociedade que exige respostas mais rápidas.
“Não é um governo disruptivo, é um governo gradualista. E o povão ou uma parte do povão não está mais querendo o gradualismo e está disposto a topar um discurso disruptivo mesmo quando ele é mentiroso”, afirmou.
Disputa com a extrema direita
Para Altman, a extrema direita tem conseguido capturar o sentimento antissistema justamente por apresentar propostas de ruptura, ainda que muitas vezes falsas ou destrutivas.
Ele defendeu que a esquerda também dispute esse sentimento, mas com um projeto de soberania, desenvolvimento e mobilização popular.
“A esquerda não consegue lidar com essa situação apenas com um programa racional bem pensado, passo a passo. Ela tem que disputar essa vontade disruptiva”, disse.
Na avaliação do jornalista, a TerraBrás poderia ser uma dessas bandeiras capazes de mobilizar a sociedade em torno de um projeto nacional.



