'Eduardo Bolsonaro já deveria estar preso', diz Reynaldo Aragon
Em entrevista à TV 247, o jornalista tamém previu dificuldades para o senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenções de voto
247 – Especialista em geopolítica da informação e da tecnologia, o jornalista Reynaldo Aragon afirmou nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, que o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) "já deveria estar preso" por suas articulações junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para estimular sanções contra o Brasil, em reação a condenações em inquéritos sobre ações golpistas.
Em participação na TV 247, o analista repudiou os "ataques dos EUA à soberania" brasileira após a gestão de Donald Trump anunciar a intenção de aplicar tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.
Ao comentar sobre as eleições, o jornalista afirmou que a direita enfrenta dificuldades para construir uma candidatura forte à Presidência da República no Brasil. Segundo Aragon, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tende a perder força nas intenções de voto.
"A direita não tem candidato forte", comentou o especialista, prevendo que o filho de Jair Bolsonaro "vai cair nas próximas pesquisas". "Temos que extirpar a extrema direita e o fascismo no Brasil, não pela violência, mas pelo voto", continuou Aragon, ao acrescentar que políticos da família Bolsonaro "são tóxicos para a extrema direita".
Na avaliação do jornalista, o bolsonarismo também age de forma contraditória ao usar a pauta da segurança pública como bandeira política. Aragon recordou a presença de setores das forças de segurança nas investigações sobre a tentativa de ruptura institucional. "Forças de segurança estavam completamente imersas na trama golpista."
Sanções dos EUA e condenações por ações golpistas
As agressões dos EUA contra a soberania brasileira têm como motivo condenações de políticos em investigações sobre tentativas de ruptura institucional. No inquérito relacionado ao plano golpista, o Supremo Tribunal Federal condenou Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão. O julgamento resultou em 29 condenações ao todo.
Na apuração sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o STF fixou mais de 1,4 mil condenações. O contexto elevou a tensão entre Brasília e Washington e passou a integrar a ofensiva política do bolsonarismo contra decisões internas do Judiciário brasileiro.
Cenário global
Outro fator apontado para os ataques dos EUA é a política externa brasileira, cada vez mais alinhada ao multilateralismo. A ampliação da cooperação com a China, considerada a principal ameaça à hegemonia estadunidense na economia global, também aparece como elemento central desse movimento.
A aproximação do Brasil com países do BRICS e com o Sul Global ajuda a explicar a postura unilateralista do governo de Donald Trump. A pressão comercial contra o Brasil ocorre nesse cenário de disputa geopolítica e reposicionamento internacional.
Pix entra no centro da pressão dos EUA
Ao defender o tarifaço contra o Brasil, os Estados Unidos também criticaram o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos foi lançado pelo Banco Central em 2020 e encerrou novembro de 2025 com 178,9 milhões de usuários cadastrados, segundo a Agência Brasil.
O Pix se tornou uma referência nacional de inclusão financeira e eficiência em transações digitais. Pessoas físicas, empresas e órgãos públicos usam o sistema em todo o país, o que ampliou sua importância estratégica na economia brasileira.
A menção ao Pix pelo governo de Donald Trump ampliou a crítica de parlamentares e analistas que veem na ofensiva uma tentativa de atingir uma tecnologia pública brasileira. Para Aragon, os ataques dos EUA se conectam a uma agenda mais ampla contra a soberania nacional.
Família Bolsonaro busca aproximação com Trump
O senador Flávio Bolsonaro viajou para os Estados Unidos no último dia 25 e voltou ao Brasil no dia 28. Durante a agenda, ele se reuniu com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, com o jornalista Paulo Figueiredo e com o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive em território estadunidense.
Os dois filhos de Jair Bolsonaro buscam aprofundar os laços com a gestão Trump para estimular sanções contra o Brasil. Aragon enquadra essa movimentação como parte de uma ofensiva contra o país e contra decisões tomadas por suas instituições.
Caso Eduardo no STF
Em 22 de setembro do ano passado, a Procuradoria-Geral da República denunciou Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. A denúncia ocorreu no inquérito do STF que trata da atuação do parlamentar junto ao governo dos EUA para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros da Corte. O ministro Flávio Dino marcou para o dia 16 de junho o julgamento da ação envolvendo Eduardo Bolsonaro.



