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Governo acerta ao explorar “brechas” na economia, diz Ladislau Dowbor

Sistema financeiro carece de “mudanças estruturais”, mas “não há força política” para isso, segundo o professor. Por meio de “brechas”, o governo busca aumentar esta força, explica

Governo acerta ao explorar “brechas” na economia, diz Ladislau Dowbor (Foto: Agência Brasil/Agência Brasil/ Brasil 247)

 247 - Em uma entrevista à TV 247, o professor e economista Ladislau Dowbor compartilhou sua perspectiva sobre a necessidade de mudanças estruturais no sistema financeiro brasileiro. Segundo Dowbor, embora não haja atualmente uma força política suficiente para implementar essas mudanças de forma direta, é crucial aproveitar as brechas existentes no sistema para introduzir políticas que possam levar a transformações profundas.

"Nós precisamos de mudanças estruturais relativamente ao sistema financeiro. Mas não há força política para mudanças estruturais. Então está se penetrando nas brechas, o que é positivo", destacou Dowbor durante a entrevista. Ele enfatizou que a estratégia envolve o governo focar em políticas sociais que dinamizem a economia, investindo em áreas como salário mínimo e crédito para agricultura familiar, além de revitalizar serviços públicos como o Sistema Único de Saúde (SUS) e a educação.

Dowbor ressaltou a importância de direcionar recursos para a base da sociedade, argumentando que isso é essencial para dinamizar a economia brasileira. Ele enfatizou que o bem-estar econômico das famílias não depende apenas do dinheiro no bolso, mas também de investimentos em áreas como saúde, educação, infraestrutura comunitária e políticas sociais. "O que dinamiza a economia? Não é mais dinheiro com os grupos financeiros, porque isso é uma extração. E sim gerar mais recursos na base da sociedade", afirmou.

“Dinheiro no bolso nos países que funcionam é 60% do bem-estar econômico. Os outros 40% - por exemplo no Canadá - é a escola, a creche, a universidade de graça, a saúde de graça, os parques do bairro, os rios limpos, um conjunto de elementos que a gente chama de ‘consumo coletivo”, acrescentou.

Na visão do economista, a estratégia para o Brasil reside em abrir gradualmente brechas para implementar políticas voltadas para o consumo coletivo e investir na base da sociedade. Ele enfatizou que o Executivo desempenha um papel fundamental nesse processo, especialmente considerando os desafios relacionados ao controle da mídia e a dinâmica do Congresso.

A abordagem de Dowbor destaca a importância de um enfoque estratégico que se concentre não apenas em questões econômicas imediatas, mas também em investimentos a longo prazo que possam transformar a qualidade de vida das pessoas e, por sua vez, abrir caminho para mudanças políticas mais amplas.

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