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Genoino diz que Lula deve chamar Jaques Wagner às falas

Ex-presidente do PT afirma que líder do governo no Senado perdeu condições políticas após traições na sabatina de Jorge Messias ao STF

Jaques Wagner e Presidente Lula (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado/Ricado Stuckert / PR)

247 – O ex-presidente do PT José Genoino afirmou, em entrevista à TV 247, que o presidente Lula precisa “chamar Jaques Wagner às falas” após a derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Para Genoino, a postura do líder do governo no Senado durante a sabatina de Messias foi “inaceitável” e demonstrou que Wagner não teria mais condições políticas de exercer a liderança governista na Casa. “Chamar o líder do governo às falas, porque a atitude do Jaques Wagner foi inaceitável para um partido como o PT. Aquilo ali foi um desrespeito à militância do partido”, afirmou Genoino. O ex-presidente do PT também sugeriu diretamente que Lula troque a liderança do governo no Senado. “Se eu puder sugerir ao Lula, troque a liderança do governo no Senado”, disse.

Segundo Genoino, as derrotas envolvendo a dosimetria e a rejeição de Messias ao STF não foram episódios normais da política parlamentar, mas parte de uma articulação mais ampla para interditar o governo Lula e enfraquecer sua autoridade. “Foram duas derrotas não normais, duas derrotas políticas que nós temos que dar a volta por cima”, afirmou.

Genoino sustentou que a conciliação institucional “bateu no teto” e que Lula deve abandonar a lógica de acordos sem limites com o Congresso. Para ele, o governo precisa recuperar a iniciativa política nas ruas, com uma plataforma popular, democrática e de defesa da soberania nacional.

“O Lula tem que sair para as ruas e fazer um discurso político forte e recuperar, com a aceitação popular, a expectativa de poder em 2026”, declarou.

O ex-dirigente petista também criticou o que chamou de “compadrio” entre setores do governo e lideranças do Senado. Segundo ele, esse tipo de relação desmoraliza o campo popular.

“Esse compadrio é nefasto para uma disputa política”, disse.

Para Genoino, a derrota de Messias expôs uma crise no modelo de governabilidade adotado pelo governo Lula. Ele defendeu que o PT e as forças de esquerda reorganizem suas alianças e priorizem a mobilização social.

“O modelo de governabilidade bateu no teto, a conciliação institucional bateu no teto. Nós temos que fazer um giro, e esse giro é com as ruas, com o povo e com a pauta democrática e popular”, afirmou.

Genoino também disse que o episódio deve provocar uma revisão nas alianças do PT nos estados, especialmente na Bahia e no Amapá.

“Essas alianças pragmáticas que a gente faz de qualquer jeito, não dá”, afirmou.

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