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“Se Lula vier a perder as eleições, a esquerda atravessará um longo deserto", diz Rui Costa Pimenta

Presidente do PCO afirma que derrota de Jorge Messias no Senado expõe articulação contra Lula e pode abrir uma crise histórica para o campo progressista

“Se Lula vier a perder as eleições, a esquerda atravessará um longo deserto", diz Rui Costa Pimenta (Foto: Divulgação )

247 – O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou em entrevista à TV 247 que a derrota de Jorge Messias no Senado, na disputa por uma vaga no Supremo Tribunal Federal, representa um duro golpe contra o governo do presidente Lula e pode indicar uma ruptura mais ampla entre setores do Centrão, do STF e da base governista. Em conversa com o jornalista Leonardo Attuch, Rui avaliou que a movimentação política da semana pode atingir diretamente a candidatura de Lula à reeleição. “Me parece que foi um duríssimo golpe contra a candidatura do Lula, o pior até agora”, afirmou.

Para Rui, a crise não se limita à indicação de Messias ao STF. Ele vê sinais de uma reorganização da direita e do Centrão em torno de Flávio Bolsonaro. “Se esse pessoal todo romper com o governo, efetivamente, passar para a candidatura do Flávio Bolsonaro, a candidatura do Lula fica numa situação muito difícil”, disse.

O dirigente também afirmou que a esquerda brasileira pagará um preço alto caso Lula seja derrotado. “Se o Lula perder a eleição, a candidatura dele for duramente atingida de maneira irreparável, a esquerda brasileira toda vai passar por um período de dificuldades”, declarou. Ao ser provocado sobre a possibilidade de um “longo deserto”, Rui concordou: “Longo deserto”.

Crise com o Centrão e o STF

Rui Costa Pimenta atribuiu a derrota de Messias a uma articulação envolvendo setores do Senado, do Centrão e do Supremo. Segundo ele, há indícios de que o caso Banco Master tenha influenciado a movimentação política.

“Embora alguma coisa relacionada com o Master esteja envolvida nessa questão, eu tendo a acreditar que nós estamos diante de um fenômeno um pouco mais complicado”, afirmou.

Ele avaliou ainda que a possível aproximação de Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco com setores da direita pode sinalizar uma crise nos acordos construídos pelo governo para 2026.

“Acabou esse casamento estranho”

Um dos pontos centrais da entrevista foi a avaliação de Rui sobre Alexandre de Moraes. Para ele, a relação de apoio de setores da esquerda ao ministro chegou ao fim após a derrota de Messias e as suspeitas envolvendo o Banco Master.

“O envolvimento dele no caso do Banco Master abalou profundamente a imagem que foi criada do Alexandre de Moraes como defensor da democracia”, disse.

Rui foi além: “Acabou esse casamento estranho entre a esquerda e Alexandre de Moraes, que isso aí sempre foi, na minha opinião, uma coisa meio grotesca”.

Lula diante de uma escolha

Na avaliação do presidente do PCO, Lula pode ser obrigado a rever sua política de alianças. Ele defendeu que o presidente considere uma ruptura com setores do Centrão e aposte mais diretamente na mobilização popular.

“Eu acho que valeria a pena arriscar uma ruptura com esse pessoal todo. Ruptura de verdade”, afirmou.

Segundo Rui, a crise mostra os limites das atuais instituições. “Se o Lula não consegue fazer quase nada, imagine o resto. Ninguém vai acusar o Lula de falta de habilidade”, disse.

Para ele, a bola está agora com o presidente. “Vamos ver o que ele vai fazer”, concluiu.

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