"Chegou ao fim o casamento grotesco entre a esquerda e Alexandre de Moraes", diz Rui Costa Pimenta
Presidente do PCO que derrota de Jorge Messias expôs ruptura entre Lula, STF e Centrão, e alerta para articulação em torno de Flávio Bolsonaro
247 – O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou em entrevista à TV 247 que a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal marcou uma virada na relação entre setores da esquerda e o ministro Alexandre de Moraes. Para ele, o episódio encerra o que chamou de “casamento grotesco” entre a esquerda e Moraes. "Acabou esse casamento estranho entre a esquerda e Alexandre Moraes, o que sempre foi, na minha opinião, uma coisa meio grotesca", disse Rui, ao comentar o abandono de Moraes por parte de setores progressistas nas redes sociais após a derrota de Messias no Senado.
Segundo Rui, o episódio deve ser lido como parte de uma crise política mais ampla. "Me parece que foi um duríssimo golpe contra a candidatura do Lula, o pior até agora", afirmou.
Para o presidente do PCO, a movimentação pode indicar uma ruptura de setores importantes do Centrão com o governo Lula e uma aproximação com a candidatura de Flávio Bolsonaro. "Se esse pessoal todo romper com o governo, efetivamente, passar para a candidatura do Flávio Bolsonaro, a candidatura do Lula fica numa situação muito difícil", avaliou.
Rui também afirmou que o envolvimento de Moraes no caso Banco Master abalou sua imagem pública. "O Alexandre Moraes, o envolvimento dele no caso do Banco Master, abalou profundamente a imagem que foi criada do Alexandre Moraes como defensor da democracia", disse.
Ex-aliado do presidente Lula
Na avaliação dele, a esquerda passou a rever sua posição diante do ministro porque Moraes deixou de ser visto como aliado do presidente Lula. "O pessoal olhava e falava assim: ‘Bom, é ruim, mas ele está do lado do Lula’. Agora não está mais", afirmou.
Rui defendeu que Lula precisa reavaliar sua política de alianças. "O governo tem que tomar uma decisão em relação à sua política de alianças, se ele vai procurar manter essa política, apesar da traição que ele sofreu no Senado, ou se ele vai partir para uma outra coisa", disse.
Para ele, caso a ruptura se confirme, o governo terá poucas alternativas. "Se confirmar que nós temos aí uma ruptura desse pessoal, não tem outra solução pro governo. Governo vai ter que ir para uma eleição, como foi a eleição de 1989, contra toda a burguesia", afirmou.
O político mais popular desde Getúlio
O dirigente do PCO também disse que Lula poderia apostar em uma campanha mais direta contra os partidos e lideranças que hoje controlam o Congresso. No entanto, fez uma ressalva sobre campanhas genéricas contra a instituição. "O correto é denunciar os partidos políticos envolvidos. O Congresso enquanto instituição não tem nada a ver", afirmou.
Ao comentar a postura de Lula, Rui disse que o presidente tem histórico de buscar acordos, mas que o cenário atual pode exigir outra estratégia. "O castelo que ele montou aí está ruindo", afirmou.
Ainda assim, Rui não descartou uma vitória de Lula. "Ele é o político mais popular que o Brasil teve desde o Getúlio Vargas", disse.


