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Genoino: Messias foi rejeitado por quem tem medo das investigações no caso Master

Ex-presidente do PT afirma que derrota no Senado, dosimetria e arquivamento da CPI do Banco Master fazem parte de uma ofensiva para enfraquecer Lula

Jorge Messias e Davi Alcolumbre (Foto: José Cruz/Agência Brasil | Waldemir Barreto/Agência Senado)

247 – O ex-presidente do PT José Genoino afirmou que a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal está diretamente ligada a interesses políticos e ao temor de investigações relacionadas ao caso Banco Master. Em entrevista à TV 247, Genoino analisou os recentes reveses sofridos pelo governo do presidente Lula e classificou o momento como uma inflexão que exige mudança de estratégia política.

Segundo Genoino, a rejeição de Jorge Messias, somada à discussão sobre a dosimetria das penas e ao arquivamento da CPI do Banco Master, revela uma articulação mais ampla dentro das instituições. “Foi uma grande aliança que envolveu a dosimetria, a rejeição do Messias e o arquivamento da CPI do Banco Master”, afirmou. Para ele, há um movimento coordenado para limitar o poder do Executivo e enfraquecer o governo.

O ex-dirigente petista foi enfático ao apontar que os acontecimentos não podem ser tratados como episódios isolados. “Foram duas derrotas não normais, duas derrotas políticas que nós temos que dar a volta por cima”, disse, ao avaliar a situação enfrentada pelo governo no Congresso e no Judiciário. Na sua leitura, a estratégia de conciliação institucional adotada até aqui chegou ao limite. “A conciliação institucional bateu no teto”, declarou.

Crítica à articulação política e a Jaques Wagner

Genoino também fez duras críticas à condução política do governo, especialmente à atuação do líder no Senado. “A atitude do Jaques Wagner foi inaceitável para um partido como o PT. Aquilo ali foi um desrespeito à militância do partido”, afirmou, defendendo mudanças na liderança governista.

Ele ainda criticou a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sugerindo o rompimento político. “Esse compadrio é nefasto para uma disputa política”, disse. Para Genoino, manter alianças com setores que, segundo ele, atuam contra o governo, enfraquece a base política e compromete o futuro eleitoral.

Suspeitas sobre articulação institucional

Ao comentar os bastidores da rejeição de Messias, Genoino levantou questionamentos sobre comportamentos dentro do próprio sistema de justiça e do Congresso. “Por que houve um jantar na véspera com ministro do Supremo? Por que o Flávio Dino não recebeu o Messias?”, questionou, ressaltando que, embora não tenha provas concretas, há elementos que precisam ser analisados politicamente.

Ele também criticou o que chamou de interferência indevida no processo de indicação ao STF. “Ministro do Supremo opinar sobre indicação do presidente é tutela. Isso é esvaziar o presidencialismo”, afirmou.

Defesa de mudança de estratégia e mobilização popular

Diante do cenário, Genoino defendeu uma mudança profunda na estratégia do governo, com foco na mobilização popular. “O Lula tem que sair pras ruas e fazer um discurso político forte”, disse. Para ele, a recuperação da “expectativa de poder” depende do diálogo direto com a população e da retomada da agenda popular.

O ex-presidente do PT argumentou que o governo deve reduzir a dependência do Congresso e priorizar pautas como o fim da escala 6x1, além de temas ligados à soberania nacional e à democracia. “Nós temos que denunciar que a maioria do Congresso é inimiga do povo”, afirmou.

Crise institucional e disputa política

Genoino também avaliou que o Brasil atravessa um momento de tensão institucional, agravado por decisões que, segundo ele, criam precedentes perigosos. Ele criticou a forma como a dosimetria das penas vem sendo tratada, afirmando que há risco de distorções no sistema penal.

“Quando era o andar de baixo, eles nunca discutiram dosimetria. Agora discutem para beneficiar o andar de cima”, disse, ao apontar desigualdades no tratamento judicial.

Na sua análise, há uma tentativa de construir um ambiente político desfavorável ao governo. “Eles iniciaram um movimento político para derrotar o Lula em 2026”, afirmou, defendendo uma resposta mais contundente das forças progressistas.

Chamado à reorganização da esquerda

Ao final, Genoino reforçou a necessidade de reorganização política do campo progressista. “Ou a gente recupera a iniciativa política com a pauta e com as ruas, ou vamos perder politicamente”, alertou.

Ele também criticou o que considera excesso de pragmatismo nas alianças. “Essas alianças de centrão bateram no teto. Não cabe tudo”, afirmou, defendendo maior coerência ideológica.

Para Genoino, o momento exige coragem política e reconexão com as bases sociais. “O PT tem que sair do defensivismo, levantar a cabeça e ir para o enfrentamento democrático”, concluiu.

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