"O brasileiro é, antes de tudo, um amnésico", diz Eduardo Guimarães
Jornalista critica ataques ao STF e diz que economia sob Lula será diferencial na campanha eleitoral
247 - O jornalista Eduardo Guimarães afirmou que o eleitor brasileiro tende a esquecer eventos políticos recentes, ao analisar o impacto dos ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a influência do cenário econômico nas eleições. Segundo ele, a combinação desses fatores ajuda a explicar oscilações nas pesquisas e pode favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos próximos meses.
As declarações foram feitas durante participação na TV 247, onde Guimarães comentou dados recentes de pesquisas eleitorais e análises divulgadas pela imprensa. Ele mencionou, por exemplo, uma matéria da revista Veja que cita o cientista político Rafael Cortez ao apontar o chamado “efeito Trump” como possível fator de desempate nas disputas.
Impacto do STF nas pesquisas
De acordo com Guimarães, levantamentos recentes indicam que Lula teria atingido um piso de popularidade após um período de forte desgaste, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria alcançado um teto. Para o jornalista, esse movimento está ligado a uma intensa ofensiva política e midiática.
Ele avaliou que ataques ao STF acabaram influenciando diretamente a percepção sobre o governo. “O campo progressista perdeu muito com essa guerra contra o STF. Atingiu a popularidade do Lula, porque o Lula estava muito vinculado ao STF desde 2023”, afirmou. Segundo ele, a queda do presidente nas pesquisas ocorreu em paralelo ao desgaste da própria Corte.
Guimarães também apontou que, nesse contexto, nomes ligados ao bolsonarismo se beneficiaram momentaneamente. “Enquanto isso, Flávio Bolsonaro estava surfando nesta onda”, disse.
Influência do bolsonarismo
O jornalista destacou ainda a força do apoio político de Jair Bolsonaro (PL) sobre seu eleitorado. “Se você pegar uma samambaia e o Bolsonaro apoiar essa samambaia, o bolsonarismo vai em peso votar na samambaia”, afirmou, ao comentar o crescimento de candidatos associados ao ex-presidente.
Para ele, esse comportamento explica o desempenho de figuras como Flávio Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em cenários eleitorais, independentemente de características individuais.
Economia e memória do eleitor
Guimarães argumentou que o cenário econômico deverá ser determinante no comportamento do eleitorado. Segundo ele, muitos eleitores ainda não estão focados no processo eleitoral, mas tendem a reagir às condições financeiras no momento da votação.
Nesse contexto, ele destacou o papel da memória política. “O brasileiro, antes de tudo, é um amnésico, do ponto de vista político. As pessoas esquecem. Até gente politizada esquece”, afirmou.
O jornalista também alertou para o esquecimento de episódios recentes envolvendo riscos institucionais. “Essa onda de ataques ao STF foi algo que simplesmente mostrou uma amnésia generalizada do risco que o Brasil correu”, disse.
Guimarães ressaltou que o papel do STF na defesa da democracia teria sido subestimado por parte da população. “Há uma amnésia do que representou ter esta Suprema Corte na defesa da democracia”, declarou.
Ele acrescentou que, na sua avaliação, o país poderia ter seguido outro rumo político caso o cenário institucional tivesse sido diferente. “A gente poderia muito bem estar aqui vivendo num regime bolsonarista, numa dinastia que se inauguraria em 2022”, afirmou.
A análise do jornalista indica que, apesar das oscilações recentes nas pesquisas, o cenário político segue em transformação e deve ser fortemente influenciado pela evolução da economia e pela percepção do eleitorado nos próximos meses.


