Ricardo Cappelli: "Celina e Ibaneis arruinaram o DF, mas nós vamos reconstruir"
Pré-candidato do PSB defende unidade contra a extrema direita, promete zerar filas da saúde
247 - Em entrevista ao programa Boa Noite 247, Ricardo Cappelli afirmou que o PSB terá candidatura própria ao governo do Distrito Federal e defendeu a construção de uma frente ampla para derrotar o atual grupo político que comanda a capital federal.
Segundo Cappelli, a candidatura será lançada oficialmente neste sábado, às 15h, no CONIC, em Brasília. O local foi escolhido, disse ele, por sua centralidade, fácil acesso por ônibus e metrô e simbolismo cultural.
“O PSB terá candidato ao governo do Distrito Federal”, afirmou. “Nós defendemos a unidade até o limite, mas temos uma divergência sobre a tática. Chapa de esquerda, aqui no Centro-Oeste, é o melhor caminho para perder a eleição.”
Cappelli sustentou que a oposição precisa dialogar além do campo progressista. Ele citou conversas com PSDB, Solidariedade, PDT e setores de centro e centro-direita que, segundo ele, se opõem ao bolsonarismo e ao grupo de Ibaneis Rocha e Celina Leão.
O pré-candidato também voltou a atacar a atual governadora. Para ele, Celina não pode se dissociar da gestão Ibaneis. “Ela era vice-governadora, participou de tudo e agora tenta se distanciar porque percebeu que o barco está afundando”, disse.
Cappelli associou a crise política local ao caso Banco Master e ao BRB. Ele afirmou que o banco público virou uma “caixa-preta” e criticou a ausência de balanços recentes. “Ninguém sabe o tamanho do buraco”, declarou.
Na entrevista, Cappelli disse que o Distrito Federal vive uma combinação de colapso na saúde, déficit orçamentário e abandono da mobilidade urbana. Ele prometeu apresentar 40 propostas após o lançamento da pré-candidatura.
Uma das principais promessas é zerar as filas de cirurgias, consultas e exames especializados. “O orçamento da saúde é de R$ 1 bilhão por mês. Não é possível um hospital não ter fio de sutura”, afirmou.
Ele também criticou a educação pública, citando a baixa presença de estudantes em tempo integral, e disse que Brasília “nasceu para ser exemplo para o Brasil”, mas perdeu essa condição por “incompetência e corrupção”.
Na área de transporte, Cappelli defendeu a retomada da expansão do metrô e criticou os subsídios pagos às empresas de ônibus. Para ele, os recursos destinados ao sistema rodoviário poderiam financiar quilômetros de transporte sobre trilhos todos os anos.
O pré-candidato buscou se apresentar como gestor experiente e conhecedor da realidade das regiões administrativas. Ele afirmou que há 17 meses passa uma semana por mês morando em diferentes cidades do DF, hospedado em casas de moradores, visitando equipamentos públicos e usando transporte coletivo.
“Eu vou chegar à campanha desafiando qualquer candidato a conhecer mais o Distrito Federal do que eu conheço”, declarou.
Sobre pesquisas eleitorais desfavoráveis, Cappelli minimizou os números e disse que a eleição ainda está no início. “Sou a única novidade da disputa. Nunca fui candidato a nada no Distrito Federal”, afirmou.
Ele também defendeu a reeleição do presidente Lula, mas advertiu que a disputa nacional não será fácil. “Acredito na vitória do presidente Lula, mas será uma eleição duríssima, decidida nos detalhes”, disse.
Ao comentar a operação da Polícia Federal que teve como alvo Jaques Wagner, Cappelli adotou cautela. Disse não ter elementos suficientes para avaliar o caso e afirmou que cabe ao presidente Lula decidir sobre a liderança do governo no Senado. “Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”, afirmou.
No encerramento, Cappelli convidou apoiadores para o ato no CONIC e disse que o evento marcará “uma grande festa pela democracia” no lançamento de sua pré-candidatura.



