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Rui Costa Pimenta diz que é cedo para decretar fim da candidatura de Flávio Bolsonaro

Presidente do PCO avalia que crise envolvendo Daniel Vorcaro pode abalar o bolsonarismo, mas não inviabiliza automaticamente a disputa contra Lula

Dark Horse-Flávio Bolsonaro-Jair Bolsoanro (Foto: Divulgação/Jair Bolsonaro/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Flávio Bolsonaro/Adriano Machado/Reuters/Montagem/IA Dall-e)
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247 – O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou em entrevista à TV 247 que considera precipitado decretar o fim da candidatura de Flávio Bolsonaro após a repercussão do caso envolvendo Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo ele, “os rumores sobre a morte da candidatura são prematuros”.

Durante a análise política semanal conduzida por Leonardo Attuch, Rui avaliou que a crise representa um problema real para o campo bolsonarista, mas não necessariamente fatal. “Não acho que a candidatura dele tá inviabilizada”, disse. “Ele vai ter que trabalhar para superar essa situação, mas acho que a candidatura dele vai continuar e vai continuar forte”.

Crise no bolsonarismo e pressão da terceira via

Rui Costa Pimenta afirmou que setores da grande imprensa e do grande capital estariam tentando usar o desgaste de Flávio Bolsonaro para abrir espaço a uma candidatura de terceira via. Para ele, a reação de nomes como Romeu Zema é ilustrativa desse movimento.

“A expectativa do grande capital é que o Bolsonaro tenha levado um golpe tão duro, ou que ele fraqueje, e eles consigam substituir a candidatura dele por uma candidatura de terceira via”, avaliou.

Ele também comentou a leitura atribuída ao mercado financeiro de que haveria temor de um Flávio Bolsonaro “inviável, mas que não desiste”. Para Rui, isso revela uma contradição: “Essa manchete também dá a entender que o Flávio Bolsonaro seria o candidato do mercado financeiro”.

“Bolsonarismo tem mais teflon do que Lula”

Ao analisar o impacto do episódio sobre o eleitorado de direita, Rui afirmou que o bolsonarismo pode resistir melhor a escândalos do que o campo lulista. Segundo ele, o eleitor bolsonarista tende a enxergar Jair Bolsonaro e seus aliados como perseguidos pelo sistema.

“O bolsonarismo tem muito mais teflon do que o Lula”, disse. Para o presidente do PCO, o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ainda dependeria de provas mais robustas para se tornar devastador politicamente.

Sobre o áudio em que Flávio teria pedido R$ 140 milhões para financiar um filme, Rui ponderou: “Ele tá pedindo um financiamento. Não parece, na gravação, toma lá dá cá. Qualquer um pode pedir um financiamento para um filme”. Em seguida, admitiu que poderia haver suspeitas: “É possível que houvesse caixa dois, mas isso precisaria ser provado”.

Lula, Flávio e o cenário de 2026

Rui também comentou pesquisas que indicariam crescimento das chances de Lula contra Flávio Bolsonaro. Ainda assim, ele disse que uma eventual desistência do senador poderia favorecer uma candidatura mais unificada da direita.

“Os que querem a vitória do Lula deveriam torcer para que o Flávio continue na eleição, porque é mais fácil derrotar ele do que derrotar um candidato com toda a burguesia unificada”, afirmou.

Para Rui, tanto Lula quanto Bolsonaro enfrentam resistência de setores dominantes por serem lideranças populares com relativa autonomia. “A classe social mais poderosa do Brasil não quer o Lula, não quer o Bolsonaro”, disse.

Michele Bolsonaro e outras alternativas

Questionado sobre uma eventual candidatura de Michele Bolsonaro, Rui afirmou que ela poderia ser competitiva. “Talvez fosse uma candidatura até melhor do que a do Flávio Bolsonaro”, avaliou. Segundo ele, Michele não tem o mesmo desgaste de Flávio, não ocupa cargo público e possui boa presença política.

Ainda assim, Rui disse não acreditar que o bolsonarismo vá desistir facilmente da candidatura de Flávio. “Não é da índole do bolsonarismo desistir”, afirmou.

Crítica à direita “civilizada”

O presidente do PCO também criticou a ideia de que uma direita de terceira via seria mais aceitável do que o bolsonarismo. Para ele, figuras associadas à direita tradicional representam riscos profundos ao país.

“Eu vejo a terceira via como pior do que o bolsonarismo. Não vejo como melhor, não”, afirmou. Segundo Rui, a chamada direita “civilizada” foi responsável por políticas que prejudicaram a economia nacional.

Trump, China e BRICS

Na parte internacional da entrevista, Rui comentou o encontro entre Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e Xi Jinping. Ele rejeitou a leitura de que o encontro representaria uma trégua estrutural entre Washington e Pequim.

“Mesmo que o Trump quisesse fechar um acordo de grandes proporções com Xi Jinping, os monopólios imperialistas não querem saber disso. Eles querem derrubar a China”, afirmou.

Rui também defendeu que os BRICS adotem uma posição diplomática firme contra agressões ao Irã, embora tenha reconhecido dificuldades internas no bloco. “Os BRICS deveriam adotar uma posição muito firme”, disse.

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