Terras raras e big techs são instrumentos da sanha imperialista contra o Brasil, diz Flávia Lefèvre
Advogada alertou para a influência das redes nas eleições e apontou possíveis riscos das intenções dos EUA junto a economia brasileira
247 - A advogada e especialista em direitos digitais Flávia Lefèvre denunciou nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, que existe um “abuso de poder econômico” das big techs e também fez um alerta contra a “sanha imperialista” dos Estados Unidos. A analista apontou riscos associados à atuação das empresas de tecnologia, e à relação entre os dois países no cenário digital e econômico.
“Há vácuo legislativo”, destacou a advogada, ao defender maior envolvimento de diferentes setores na construção de soluções. Segundo Lefèvre, “muita participação da sociedade civil, empresa, governo, terceiro setor” será necessária para enfrentar o problema.
Na avaliação feita pela advogada, o modelo de negócios das plataformas digitais se baseia na exploração de dados dos usuários. “Plataformas não geram informações, elas pegam nossos dados, com algoritmos invasivos, e operam em favor deles, da publicidade. Privilegiam os conteúdos da direita”, afirmou ela, acrescentando que o País precisa manter atenção diante de possíveis tentativas de interferência estrangeira no uso das redes sociais.
“Plataformas não geram informações, elas pegam nossos dados, com algoritmos invasivos, e operam em favor deles, da publicidade. Privilegiam os conteúdos da direita”.
Terras raras e soberania nacional
Outro ponto destacado na entrevista envolve a disputa por recursos estratégicos. A advogada criticou o interesse estrangeiro em riquezas nacionais.
“EUA querem levar todas as nossas terras raras”, disse. Ao abordar o tema, ela ressaltou que o Brasil enfrenta fragilidades diante desse cenário. “Está vulnerável e sujeito à manutenção dessa lógica imperialista”, afirmou.
As declarações reforçam o debate sobre regulação das big techs, soberania digital e proteção de dados no Brasil, temas que ganham relevância diante do avanço tecnológico e do cenário político internacional.
Estatísticas reforçam importância do setor
O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking global de reservas desses minerais, com cerca de 21 milhões de toneladas. A China lidera com 44 milhões de toneladas, de acordo com dados de 2024 do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A Índia aparece na terceira posição, com 6,9 milhões de toneladas, conforme levantamento divulgado pelo Valor Econômico em julho do ano passado.
Terras raras reúnem 17 elementos químicos, entre eles lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, escândio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio. Esses componentes exercem papel essencial na transição energética global.
A indústria de tecnologia utiliza esses minerais em diferentes produtos, como turbinas eólicas, veículos híbridos, televisores de tela plana, celulares, lâmpadas fluorescentes compactas, ímãs permanentes, catalisadores de gases de escapamento, lentes de alta refração e sistemas de mísseis guiados.
Na etapa de produção, a China mantém ampla liderança e extraiu 270 mil toneladas em 2024. Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 45 mil toneladas. Myanmar aparece em seguida, com 31 mil toneladas.



