"Trump assinou seu atestado de óbito político com essa guerra", diz Marco Fernandes
Analista Marco Fernandes avalia que conflito com o Irã pode gerar crise econômica, isolamento interno e derrota eleitoral para Trump
247 - A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de intensificar o confronto com o Irã pode ter consequências diretas sobre sua sobrevivência política. A avaliação é do jornalista e analista geopolítico Marco Fernandes, que aponta riscos internos e externos decorrentes do conflito, incluindo impacto econômico, rejeição popular e instabilidade institucional.
As declarações foram feitas em entrevista publicada ao canal Opera Mundi, em que Fernandes analisa os desdobramentos da escalada militar e seus efeitos sobre a política interna norte-americana. Segundo ele, a guerra não encontra respaldo significativo na sociedade dos Estados Unidos e tende a produzir efeitos adversos ao governo.
De acordo com o analista, o movimento de Trump representa uma ruptura com a base política que o levou ao poder. “O Trump assinou o seu atestado de óbito político com essa guerra. Ele vai pagar um preço muito caro”, afirmou. Ele lembra que o presidente dos Estados Unidos foi eleito com uma plataforma contrária a intervenções militares. “Ele se elegeu com a plataforma do MAGA? Era ‘No More Wars’, não queremos mais guerra. Ele já tá fazendo, já fez mais guerra do que, enfim, já matou mais gente do que já tá ali”, declarou.
Fernandes destaca que o apoio popular ao conflito é limitado. “Segundo pesquisas nos Estados Unidos, cerca de 20 a no máximo 30%, mas algumas dizem que 20% só da população apoia essa guerra. Ou seja, não é uma guerra popular nos Estados Unidos”, disse. Para ele, mesmo uma eventual vitória militar não traria ganhos eleitorais. “Ainda que ele vença, isso não vai gerar votos para ele.”
Outro ponto central da análise é o impacto econômico da escalada militar. O jornalista aponta efeitos imediatos nos preços de energia e possíveis consequências inflacionárias. “O gás já aumentou 50%, o petróleo já aumentou 15% e a expectativa é que continue a aumentar. Isso vai gerar inflação mundial, isso vai gerar inflação nos Estados Unidos”, afirmou. Ele acrescenta que o cenário se agrava diante de um contexto já pressionado internamente. “Nós estamos falando de um povo que já está numa crise econômica, que já está com uma carga inflacionária por causa das tarifas do Trump.”
Além da economia, Fernandes menciona o custo humano do conflito como fator sensível para a opinião pública. “O público americano é muito avesso a ver caixões retornando com a bandeira dos Estados Unidos, com seus filhos e filhas mortos dentro dele”, disse. Ele ressalta que, caso a guerra se prolongue, o número de vítimas tende a crescer. “Se essa guerra se prolongar, vai morrer muita gente do lado dos Estados Unidos.”
No campo político, o analista projeta dificuldades para o governo nas eleições legislativas. “Fica quase impossível Trump ganhar as midterms em novembro”, afirmou. Ele lembra ainda que o próprio presidente dos Estados Unidos reconheceu os riscos institucionais. “Ele mesmo falou na semana passada: ‘Se eu perder as duas casas, eu devo sofrer o impeachment’.”
Para Fernandes, a decisão de avançar no conflito foi uma aposta de alto risco, com consequências ainda incertas, mas potencialmente decisivas. “Eu acho que foi uma aposta muito arriscada”, declarou, ao reforçar que o cenário atual pode consolidar Trump como “o grande perdedor dessa guerra”.


