Global Times aponta "futuro brilhante" na relação entre China e Estados Unidos
Encontro com Xi Jinping é tratado como histórico pelo Global Times e reacende expectativas sobre cooperação, comércio e governança global
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a Pequim nesta quarta-feira para uma visita de Estado à China, a convite do presidente Xi Jinping, em um encontro apontado como um possível novo marco nas relações entre as duas maiores economias do mundo.
Em editorial, o jornal chinês Global Times afirmou que a reunião entre Xi e Trump é amplamente vista como “histórica” e pode representar “um novo ponto de partida” para a relação China-EUA, considerada decisiva para a paz mundial, o crescimento econômico e a estabilidade das cadeias globais de produção e suprimentos.
Segundo o texto, esta é a primeira visita de um presidente dos Estados Unidos à China em nove anos e ocorre após o encontro entre os dois líderes em Busan, em outubro passado. Xi e Trump devem discutir temas centrais das relações bilaterais, além de questões ligadas à paz e ao desenvolvimento mundial.
O editorial destaca que China e Estados Unidos respondem juntos por mais de um terço da economia global, quase um quarto da população mundial e cerca de um quinto do comércio internacional. Por isso, afirma o jornal, a estabilidade entre Pequim e Washington não é apenas uma questão bilateral, mas um “bem público” para toda a comunidade internacional.
O Global Times avalia que a diplomacia entre chefes de Estado tem sido fundamental para evitar que tensões comerciais, disputas estratégicas e crises pontuais levem a relação entre os dois países a uma escalada fora de controle. Desde o ano passado, equipes econômicas e comerciais dos dois lados realizaram sete rodadas de consultas, com o objetivo de administrar divergências, construir consensos e ampliar a cooperação.
O jornal afirma que, desde a mensagem de congratulação enviada por Xi a Trump em 7 de novembro de 2024, os dois líderes conversaram por telefone seis vezes e se encontraram presencialmente uma vez. Para o editorial, esse canal direto tem funcionado como “bússola” e “âncora” para manter a relação em trajetória estável.
O texto também reproduz uma formulação de Xi Jinping sobre a convivência entre as duas potências. Segundo o presidente chinês, “o mundo é grande o suficiente para acomodar ambos os países, e o sucesso de um país é uma oportunidade para o outro”. A avaliação do editorial é que China e Estados Unidos devem buscar um modelo baseado em respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação de ganho recíproco.
O Global Times também cita a visão de Xi de que o desenvolvimento da China e o projeto de Trump de “Make America Great Again” podem avançar em paralelo. Segundo o texto, Xi afirmou que “China e Estados Unidos podem alcançar sucesso mútuo e prosperidade compartilhada”. Trump, por sua vez, teria defendido que os dois países podem trabalhar juntos para enfrentar grandes questões globais.
O editorial sustenta que grande parte das dificuldades recentes nas relações bilaterais decorreu de setores nos Estados Unidos que, segundo o jornal, insistem em uma lógica de competição em que o avanço de um país dependeria do enfraquecimento do outro. Para o diário chinês, essa visão se afasta dos consensos construídos entre os dois presidentes.
O texto conclui que 2026 poderá marcar uma nova etapa histórica nas relações China-EUA. O ano coincide com o início do 15º Plano Quinquenal da China e com o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos. Para o Global Times, sob a orientação direta dos chefes de Estado, os dois países têm condições de avançar rumo ao respeito mútuo, à coexistência pacífica e à cooperação de benefício recíproco.




