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Jeffrey Sachs retrata Trump como um psicopata chantageado por Israel

Economista acusa o presidente dos EUA de agir como “fantoche” de interesses israelenses e da CIA

Jeffrey Sachs e Donald Trump (Foto: Xinhua/Reuters)

247 – O economista e professor da Universidade de Columbia Jeffrey Sachs fez duras críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ao analisar a escalada militar envolvendo o Irã e o risco de uma guerra regional no Oriente Médio. Em entrevista ao programa Breaking Points, publicada no YouTube, Sachs afirmou que Trump age como um “psicopata” ou “fantoche” de interesses israelenses e de setores da inteligência norte-americana.

Segundo Sachs, a ofensiva militar contra o Irã e a participação dos Estados Unidos ao lado de Israel não são episódios isolados, mas parte de um projeto geopolítico antigo. Para ele, Netanyahu persegue há décadas um plano de confrontação permanente no Oriente Médio.

“Se Netanyahu disse isso, que coisa impressionante. Tenho dito há anos que esse é o sonho dele”, afirmou Sachs ao comentar declarações atribuídas ao primeiro-ministro israelense, segundo as quais o atual conflito permitiria realizar um objetivo perseguido há décadas. O economista acrescentou: “Esse projeto remonta pelo menos a 1996, a um documento chamado ‘Clean Break’, que era basicamente o plano para guerras contínuas no Oriente Médio.”

Críticas diretas a Trump

Ao comentar a atuação do presidente norte-americano, Sachs foi ainda mais contundente. Ele afirmou que Trump não atua de forma independente e que sua política externa segue interesses de grupos ligados a Israel e ao aparato de segurança dos Estados Unidos.

“Trump está louco. Ele pode até acreditar nisso, mas está louco. Ou é psicopata ou tem o que se chama de personalidade da ‘tríade sombria’”, disse Sachs. Segundo ele, essa lógica combina manipulação política extrema com ausência de empatia.

O economista também sugeriu que Trump pode estar submetido a pressões políticas ou financeiras. “Ele é um fantoche. Um fantoche da CIA, um fantoche de Miriam Adelson e um fantoche de Netanyahu.”

Sachs lembrou ainda que, durante sua campanha presidencial, Trump prometeu evitar novos conflitos militares. Para o professor, porém, a realidade mostra o oposto.

“Dizer que Trump mentiu soa quase ingênuo. Trump mente toda vez que abre a boca. Sua campanha dizia que ele não faria exatamente isso. E agora estamos mergulhados em mais uma guerra.”

Plano de décadas para confrontar o Irã

Na análise de Sachs, a atual crise no Oriente Médio deve ser entendida dentro de uma estratégia geopolítica de longo prazo. Ele afirmou que a pressão contra o Irã vem se intensificando há décadas.

O professor lembrou que os Estados Unidos participaram da derrubada do governo iraniano democraticamente eleito de Mohammad Mossadegh em 1953, em uma operação conduzida pela CIA e pelo serviço secreto britânico MI6.

“Eles derrubaram Mossadegh porque ele teve a ousadia de dizer que o petróleo do Irã deveria pertencer ao povo iraniano”, afirmou.

Após o golpe, os EUA apoiaram o regime do xá do Irã até a Revolução Islâmica de 1979. Segundo Sachs, desde então Washington tem adotado uma política contínua de pressão contra o país.

Ele destacou ainda o apoio norte-americano ao Iraque durante a guerra contra o Irã entre 1980 e 1988. “Saddam Hussein era o homem da CIA naquela época”, afirmou.

Acordo nuclear e ruptura de Trump

Sachs também criticou a decisão de Trump de abandonar o acordo nuclear firmado em 2015 entre o Irã e as principais potências mundiais. O tratado, conhecido como JCPOA, havia sido assinado pelos Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha.

Segundo o economista, o acordo submetia o programa nuclear iraniano a um rígido sistema de inspeções internacionais.

“Netanyahu teve um ataque de fúria porque queria derrubar o governo iraniano. Ele não queria relações pacíficas com um Irã sem armas nucleares.”

Para Sachs, a decisão de Trump de abandonar o acordo em 2018 desencadeou uma escalada de tensões.

“Trump rasgou o acordo e então começou uma campanha de assassinatos e bombardeios contra instalações nucleares iranianas.”

Crítica ao sistema político de Washington

Durante a entrevista, Sachs também criticou figuras do establishment político norte-americano, incluindo o senador Lindsey Graham, conhecido defensor de intervenções militares.

Segundo o economista, Graham representa uma corrente política que busca constantemente novas guerras.

“Passei décadas lamentando Netanyahu e o documento ‘Clean Break’, mas Lindsey Graham é provavelmente a pessoa mais estúpida e mais vil de Washington”, afirmou.

Ele acrescentou: “Esse homem nunca abriu a boca em 30 anos sem pedir mais mortes de outras pessoas.”

Guerra permanente e caos regional

Na visão de Sachs, a estratégia militar adotada pelos Estados Unidos e por Israel produziu décadas de instabilidade no Oriente Médio e no norte da África.

Ele citou conflitos e intervenções em diversos países da região. “Fomos à guerra na Líbia, Sudão, Somália, Palestina ocupada, Líbano, Síria, Iraque, Iêmen e Irã.”

Segundo ele, o resultado dessas políticas foi devastador.

“O que conseguimos com isso? Milhões de mortos. Trilhões de dólares desperdiçados. Um arco de caos que vai da Líbia ao Irã.”

Declínio dos Estados Unidos

Para Sachs, a insistência dos Estados Unidos em buscar hegemonia global por meio de guerras está acelerando o próprio declínio do país.

Ele contrastou essa estratégia com o avanço tecnológico da China, citando uma recente visita do chanceler alemão àquele país.

“Ele estava vendo robôs chineses fazendo coisas que os Estados Unidos e a Europa não conseguem fazer”, disse.

Enquanto isso, afirmou, os Estados Unidos enfrentam deterioração interna. “Voltamos para nossos aeroportos e nada funciona. Escadas rolantes quebradas, elevadores quebrados, infraestrutura quebrada.”

Segundo Sachs, o país está comprometendo seu futuro ao priorizar guerras e gastos militares.

“Estamos nos destruindo nessa busca por hegemonia global.”

Escalada perigosa no Oriente Médio

O economista alertou ainda para os riscos de ampliação do conflito na região. Ele afirmou que ataques militares e assassinatos políticos tornam cada vez mais difícil uma solução diplomática.

“Isso foi uma guerra premeditada. As negociações foram apenas um pretexto.”

Para Sachs, a escalada atual mostra um cenário perigoso, em que decisões estratégicas estão sendo tomadas por líderes movidos por visões ideológicas e ambições geopolíticas.

“Estamos lidando com algo extremamente perigoso no mundo neste momento”, concluiu.

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