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BNDES financia usina de etanol de milho em Mato Grosso com R$ 1 bilhão

BNDES financia usina de etanol de milho em Mato Grosso com R$ 1 bilhão e impulsiona produção de biocombustíveis e transição energética no Brasil

Grãos de milho são carregados em caminhão durante colheita em fazenda perto de Brasília 22/08/2023 REUTERS/Adriano Machado

247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 1 bilhão para a construção de uma usina de etanol de milho em Tapurah (MT), projeto que reforça a expansão dos biocombustíveis e a estratégia de transição energética no país. A operação representa mais de 60% do investimento total da planta e foi contratada com a empresa RRP Energia, informa a Folha de São Paulo.

A nova unidade terá capacidade para produzir até 459 milhões de litros de etanol hidratado por ano ou 452 milhões de litros de etanol anidro, consolidando Mato Grosso como um dos principais polos nacionais de biocombustíveis à base de milho.

Os recursos do financiamento são provenientes do Fundo Clima, instrumento federal voltado à redução de emissões de gases de efeito estufa, e da linha BNDES Finem, destinada a projetos de grande porte com crédito de longo prazo. Trata-se de um empréstimo, e não de subsídio, com o banco atuando como principal financiador da iniciativa.

O enquadramento do projeto no Fundo Clima reforça sua conexão com políticas públicas de descarbonização, já que o etanol é considerado uma alternativa renovável aos combustíveis fósseis. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou os impactos ambientais da iniciativa: "Essa iniciativa está alinhada aos objetivos da Política Nacional de Biocombustíveis e da Nova Indústria Brasil, contribuindo com as cadeias de biocombustíveis para a transição energética e para a descarbonização, evitando a emissão de 309 mil toneladas de CO2-equivalente ao ano".

A usina será operada pela RRP Energia, empresa ligada ao Grupo Piccini, que atua no agronegócio e é controlado pela família do empresário Joci Piccini. O investimento marca a entrada do grupo no setor de biocombustíveis e reflete uma tendência crescente no Centro-Oeste: a verticalização da produção agrícola, com o milho sendo transformado em energia dentro do próprio estado.

Com capacidade para processar mais de 1 milhão de toneladas de milho por ano, a planta também poderá gerar subprodutos voltados à alimentação animal e óleo de milho. Localizada próxima à BR-163, importante corredor logístico de Mato Grosso, a estrutura incluirá ainda uma termelétrica de até 27 megawatts para abastecimento energético próprio.

Durante a fase de construção, estão previstos cerca de 1,1 mil empregos. Após a conclusão, a operação deve manter aproximadamente 300 postos de trabalho permanentes.

O avanço do etanol de milho indica uma mudança estrutural no setor energético brasileiro. Tradicionalmente dominado pela cana-de-açúcar, o segmento passa a incorporar novas matérias-primas e regiões. Enquanto o Sudeste segue concentrando a produção de etanol de cana, o Centro-Oeste ganha protagonismo com o uso do milho, beneficiado pela ampla oferta do grão e sua integração com a pecuária.

Esse modelo busca conectar produção agrícola, geração de energia e cadeia de proteína animal, ampliando a eficiência econômica e energética do agronegócio brasileiro.

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