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Trump avalia recuo em tarifas sobre aço e alumínio

Casa Branca prepara ajustes em taxas de 50% que afetam UE, Canadá e México e pressionam consumidores nos EUA

Donald Trump (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estuda reduzir as amplas tarifas aplicadas sobre produtos de aço e alumínio, após críticas de empresas e pressões comerciais internacionais. A informação foi divulgada pela Bloomberg nesta sexta-feira (13).

De acordo com a agência, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) trabalha para simplificar o modelo tarifário criado no ano passado, considerado complexo pelo setor privado e alvo de questionamentos por parte da União Europeia, que busca limitar as taxas como parte de um acordo comercial ainda pendente com Washington.

Segundo a fonte ouvida pela Bloomberg, a Casa Branca informou empresas de que mudanças estão sendo preparadas, mas não detalhou o formato das alterações nem o calendário para sua implementação. Caso se confirme, será mais um movimento de recuo do presidente dos Estados Unidos em sua política tarifária — prática que ganhou no mercado financeiro o apelido de “Taco”, sigla em inglês para “Trump always chickens out”, expressão que pode ser traduzida livremente como “Trump sempre amarela”.

A possibilidade de flexibilização provocou reação imediata nos mercados. O preço do alumínio registrou queda em Londres após o Financial Times noticiar em primeira mão os planos de revisão das tarifas.

Procurados pela Bloomberg, porta-vozes do USTR e do Departamento de Comércio não responderam aos pedidos de comentário encaminhados fora do horário comercial em Washington.

Tarifas de 50% e impacto global

No ano passado, o presidente dos Estados Unidos impôs tarifas de 50% sobre aço e alumínio importados, justificando a medida como resposta ao excesso de capacidade produtiva da China. No entanto, as taxas atingiram também parceiros estratégicos, como Canadá, União Europeia, México e Coreia do Sul.

Posteriormente, o governo ampliou a lista de itens afetados ao incluir produtos chamados “derivados”, que contêm aço e alumínio em sua composição. A ampliação tornou mais difícil para empresas calcular a proporção dos metais nos bens importados e determinar o valor efetivo das tarifas a serem pagas.

Há dois meses, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, reconheceu publicamente os entraves operacionais do sistema. Ele afirmou que “há alguma complexidade” nas tarifas sobre derivados e que ouviu “muitas pessoas” sobre o tema. Greer disse ainda que discutiu as dificuldades com a Alfândega e Proteção de Fronteiras e se declarou “muito aberto” a receber contribuições.

Em evento promovido pelo Atlantic Council em 10 de dezembro, o representante destacou: “Estamos comprometidos em tornar isso o mais tranquilo possível”. Na mesma ocasião, acrescentou: “Naturalmente, quando você move uma política comercial que permaneceu mais ou menos a mesma por 70 anos para um novo resultado, e está alterando os regimes tarifários, haverá desafios para torná-la operacional”.

Pressão interna e negociação com a União Europeia

A política tarifária do presidente dos Estados Unidos também passou a enfrentar maior escrutínio no Congresso. Relatórios recentes do Escritório de Orçamento do Congresso e do Federal Reserve Bank of New York apontam que consumidores e empresas norte-americanos têm absorvido a maior parte dos custos das tarifas, contrariando declarações reiteradas de Trump de que os encargos são pagos por exportadores estrangeiros.

Uma eventual redução ou eliminação das tarifas sobre produtos derivados pode favorecer a implementação do acordo comercial entre Estados Unidos e União Europeia. Embora um arcabouço tenha sido negociado no ano passado, ele ainda não foi totalmente executado.

Atualmente, a União Europeia continua sujeita à tarifa de 50% sobre aço, alumínio e uma ampla gama de produtos derivados exportados para o mercado norte-americano. Washington revisa diversas vezes ao ano a lista de itens atingidos pelas alíquotas mais elevadas.

Segundo informações já divulgadas anteriormente pela Bloomberg, autoridades europeias demonstram preocupação com a extensão dos produtos abrangidos pela tarifa de 50% — que alcança centenas de itens — e com a possibilidade de novas taxas sobre outros setores, o que poderia enfraquecer o entendimento comercial e o teto tarifário de 15% acordado entre as partes.

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