Breno Altman: Jaques Wagner deve se afastar ou ser demitido por Lula
Jornalista afirma que permanência do líder do governo no Senado causa danos ao presidente e ao PT
247 – O jornalista Breno Altman defendeu que o senador Jaques Wagner (PT-BA) se afaste imediatamente da liderança do governo no Senado ou seja demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A posição foi expressa em uma série de publicações nas redes sociais, nas quais Altman afirma que a permanência de Wagner no cargo pode ampliar o desgaste político do governo em meio aos desdobramentos do caso Banco Master.
A manifestação ocorre no contexto da nova pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado (20), que mostra Lula liderando a disputa presidencial de 2026 no primeiro turno, com 41% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento também indica que o caso Banco Master já tem peso no ambiente eleitoral, especialmente após o desgaste causado a Flávio pelo episódio Dark Horse, ligado ao pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
Altman cobra saída imediata de Wagner
No primeiro tweet registrado, Breno Altman foi direto ao defender o afastamento de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado.
"O senador Jaques Wagner precisa se afastar imediatamente da liderança do governo no Senado - ou demitido por decisão presidencial. Cada minuto a mais é dano incalculável para o presidente e o PT. Por ora, trata-se de infecção localizada, a ser extirpada antes que se alastre", escreveu.
A avaliação de Altman é que o episódio deve ser tratado como uma crise localizada, mas que pode ganhar dimensão nacional caso o Planalto não tome uma decisão rápida. Para ele, a permanência de Wagner na liderança oferece munição política à oposição e à imprensa de direita, que tentam deslocar o foco do caso Banco Master para o governo Lula.
Direito de defesa, mas afastamento político
Em uma segunda publicação, Altman fez questão de reconhecer o direito de Jaques Wagner à ampla defesa e à presunção de inocência. Ao mesmo tempo, separou a dimensão jurídica da dimensão política do caso.
"O senador tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência. Politicamente, no entanto, deveria pegar o chapéu e ir embora, para não prejudicar o presidente Lula. Quanto à solidariedade, não merece sequer uma lágrima: não passa de vassalo do regime sionista", afirmou.
A frase mostra que, para Altman, a questão central não é antecipar culpa ou condenação, mas impedir que a permanência de Wagner na liderança do governo produza desgaste político adicional a Lula e ao PT. O jornalista sustenta que o senador pode se defender fora do posto estratégico que ocupa no Senado.
Manobra da imprensa de direita
No terceiro tweet, Altman situou o episódio no que considera uma ofensiva da imprensa de direita para associar o caso Banco Master ao governo Lula.
"Acintosa manobra da imprensa de direita para colar o caso Banco Master no governo Lula, destacando denúncias contra Jaques Wagner. A melhor resposta do Planalto é garantir a investigação da PF e afastar o senador da liderança do governo, sem prejuízo ao seu direito de defesa", escreveu.
A posição combina duas linhas: defesa da investigação conduzida pela Polícia Federal e afastamento político de Wagner da liderança. Para Altman, o governo não deve impedir apuração nem parecer conivente com qualquer suspeita, mas também não deve permitir que o caso seja usado para atingir Lula.
Datafolha mostra peso eleitoral do Banco Master
A defesa do afastamento de Wagner ganha relevância diante do ambiente captado pelo Datafolha. A pesquisa mostra que Lula mantém vantagem sobre Flávio Bolsonaro, tanto no primeiro quanto no segundo turno, mas também indica que o caso Banco Master passou a ocupar lugar central na disputa.
No primeiro turno, Lula aparece com 41%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 31%. Na rodada anterior, realizada após a revelação de que Flávio havia pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para bancar o filme Dark Horse, Lula marcava 40% e o senador tinha os mesmos 31%.
O resultado indica que Flávio estancou, por ora, o prejuízo eleitoral causado pelo caso, mas não conseguiu recuperar terreno. A vantagem de Lula, que havia chegado a nove pontos após o escândalo, agora está em dez pontos. O senador bolsonarista permanece atrás e ainda carrega o desgaste de um episódio que abalou sua tentativa de se apresentar como alternativa nacional a Lula.
Dark Horse ainda pesa contra Flávio
O caso Dark Horse se tornou um problema relevante para Flávio Bolsonaro porque envolve a tentativa de financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo o material original da pesquisa, o senador havia pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para bancar o projeto.
Antes da revelação, Flávio chegou a empatar com Lula em uma simulação de segundo turno. Depois do escândalo, a diferença voltou a favorecer o presidente. No novo Datafolha, Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio em eventual segundo turno, repetindo o placar da rodada anterior.
O dado mostra que o caso Master atingiu diretamente o principal adversário de Lula. Por isso, na avaliação de Altman, permitir que a imprensa de direita desloque o foco para Jaques Wagner seria um erro político do governo.



