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Acordo anunciado por Trump sobre a Groenlândia envolve concessões territoriais pontuais

A ideia contou com o apoio do secretário-geral da Otan, Mark Rutte

Trump participa de um briefing à mídia para marcar o primeiro ano de seu segundo mandato 20/01/2026 (Foto: Nathan Howard/Reuters)

247 - A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) discutiu, nesta quarta-feira (21), uma proposta segundo a qual a Dinamarca concederia aos Estados Unidos a soberania sobre pequenas áreas da Groenlândia destinadas à instalação de bases militares estadunidenses. As informações foram reveladas em reportagem do The New York Times, com base em relatos de três autoridades graduadas familiarizadas com a reunião do grupo.

As fontes falaram sob condição de anonimato por se tratar de um tema diplomático sensível e indicaram que a iniciativa contou com o apoio do secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Dois participantes do encontro compararam a ideia ao modelo das bases britânicas em Chipre, consideradas território do Reino Unido apesar de estarem fora do continente europeu.

Ainda segundo a reportagem, a discussão ocorreu no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a suspensão das ameaças de impor tarifas de 10% contra a Dinamarca e outros países europeus. As medidas vinham sendo usadas como instrumento de pressão para garantir maior controle norte-americano sobre a Groenlândia.

Declarações de Trump

Em publicação na rede Truth Social, Donald Trump afirmou que ele e Mark Rutte chegaram a um entendimento preliminar. “Formamos a estrutura de um futuro acordo com respeito à Groenlândia e, de fato, a toda a região do Ártico”, escreveu o presidente dos Estados Unidos. Em seguida, acrescentou: “Essa solução, se concretizada, será excelente para os Estados Unidos da América e para todas as nações da Otan”.

Apesar do anúncio, o New York Times ressalta que Trump não apresentou detalhes concretos sobre o conteúdo do suposto acordo nem declarou explicitamente que os Estados Unidos passariam a ser proprietários da Groenlândia. O secretário-geral da Otan e as autoridades dinamarquesas também não divulgaram informações adicionais sobre os termos da proposta.

A Groenlândia

A Groenlândia tem cerca de 56 mil habitantes e ocupa uma posição estratégica entre os Estados Unidos e a Rússia. O território abriga expressiva riqueza mineral, incluindo diversos metais, além de reservas de petróleo e gás. Também concentra hidrocarbonetos utilizados na produção de combustíveis, bem como ouro e urânio, empregado tanto na geração de energia nuclear quanto na fabricação de armamentos atômicos.

Apesar do interesse internacional, povos indígenas e setores do governo local mantêm oposição consistente à exploração de petróleo e gás natural na ilha, principalmente por motivos ambientais. A eventual ampliação da presença militar estrangeira no território tende a intensificar debates internos e internacionais sobre soberania, segurança e preservação ambiental na região do Ártico.

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