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Ataque dos EUA ao Irã iniciaria "guerra regional", alerta líder supremo

Líder supremo diz que Teerã não iniciará confrontos, mas reagirá com força a qualquer agressão em meio ao aumento da presença americana no Oriente Médio

Ali Khamenei e Donald Trump (Foto: Reuters )

247 - O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que um eventual ataque dos Estados Unidos contra o país transformaria a crise atual em um conflito regional de grandes proporções: "os americanos deveriam saber que, se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional". A declaração foi divulgada neste domingo (1º) pela mídia estatal iraniana, em meio ao agravamento das tensões entre Washington e Teerã e ao reforço militar norte-americano no Oriente Médio, segundo a agência Reuters.

Khamenei reagiu às ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem advertido o Irã sobre uma possível intervenção militar caso não haja avanços em um acordo nuclear ou diante da repressão a protestos internos. O líder iraniano minimizou o impacto dessas advertências e afirmou que o país não será intimidado pela movimentação militar americana.

“Ele (Trump) diz regularmente que trouxe navios (…) A nação iraniana não ficará assustada com essas coisas, o povo iraniano não será agitado por essas ameaças”, declarou Khamenei. Em seguida, reforçou o caráter defensivo da posição iraniana: “Não somos os iniciadores e não queremos atacar nenhum país, mas a nação iraniana dará um golpe forte contra qualquer um que os ataque e os assedie”.

Ainda segundo a Reuters, autoridades iranianas indicaram que uma solução diplomática segue sendo considerada. Teerã afirmou estar disposto a negociações “justas”, desde que elas não imponham limites às suas capacidades defensivas. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos ampliaram sua presença militar na região, que atualmente conta com seis destróieres, um porta-aviões e três navios de combate litorâneos da Marinha norte-americana.

O contexto interno também pesa no cenário de tensão. Os protestos iniciados no fim de dezembro, motivados inicialmente por dificuldades econômicas e que evoluíram para o maior desafio político à República Islâmica desde 1979, perderam força após uma repressão intensa. Números oficiais indicam 3.117 mortes relacionadas aos distúrbios, enquanto o grupo de direitos humanos HRANA, sediado nos Estados Unidos, afirma ter verificado 6.713 óbitos, dados que a Reuters informou não ter conseguido confirmar de forma independente.

Khamenei classificou os protestos como um “golpe”, afirmando que a chamada “sedição” teria como objetivo atacar os centros que governam o país, de acordo com a mídia estatal iraniana. O impasse entre pressão externa, tensões internas e a possibilidade de negociações segue moldando um cenário instável, com repercussões que podem se estender por toda a região.

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