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Governos do Oriente Médio intensificam articulações para conter escalada entre EUA e Irã

Nos últimos dias houve um aumento dos contatos diplomáticos diante da retórica belicista de Washington

Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian 12/06/2025 (Foto: Site da Presidência do Irã/WANA/Divulgação via REUTERS)

247 - Uma intensa movimentação diplomática tomou conta do Oriente Médio nos últimos dias, com governos da região ampliando contatos para tentar impedir uma agressão dos Estados Unidos contra o Irã. O cenário é marcado pela retórica belicosa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo aumento das tensões militares, que despertam preocupação generalizada entre países vizinhos.

Segundo a agência Prensa Latina, autoridades iranianas confirmaram avanços em iniciativas voltadas ao diálogo com Washington. O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, anunciou na rede social X que a formulação de um plano de negociações com os Estados Unidos está em andamento. Pouco antes, Larijani esteve em Moscou, onde se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin, que defendeu o diálogo e alertou para a necessidade de evitar um novo conflito na região.

As sinalizações de contato também foram confirmadas pelo próprio presidente dos Estados Unidos. Em entrevista à Fox News, Donald Trump afirmou que os dois países estão “conversando”, mas ponderou: “Veremos se conseguimos fazer algo; caso contrário, veremos o que acontece”.

Na tentativa de reduzir a escalada, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, manteve uma série de conversas com líderes regionais. Em telefonema ao presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, ele reiterou a disposição de Teerã para uma saída negociada. “Não queremos nem buscamos a guerra”, declarou Pezeshkian, acrescentando que o país reagiria caso fosse atacado. O líder iraniano também trocou impressões com os presidentes da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e do Azerbaijão, Ilham Aliyev.

O Egito, por sua vez, intensificou consultas diplomáticas para conter o agravamento da crise. De acordo com o jornal árabe Asharq al-Awsat, o Cairo acelerou articulações regionais como parte de um esforço coordenado para diminuir as tensões. Nesse contexto, o ministro das Relações Exteriores egípcio, Badr Abdelatty, manteve conversas separadas com seus homólogos do Irã, Abbas Araqchi; da Turquia, Hakan Fidan; de Omã, Badr bin Haman al Busaidi; além do primeiro-ministro do Catar, Mohammad bin Abdulrahman. 

Abdelatty também dialogou com o enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Wittkopf.Em comunicado oficial, o chefe da diplomacia egípcia advertiu que “não existem soluções militares para os desafios que a região enfrenta”, defendendo a negociação como único caminho possível. Ainda segundo o Asharq al-Awsat, a Turquia também atua para criar um canal direto de comunicação entre Teerã e Washington com o objetivo de evitar uma nova guerra. Na sexta-feira, Abbas Araqchi esteve em Ancara, onde se reuniu com Erdogan e com o chanceler turco, ocasião em que saudou a mediação do país e expressou apoio à estratégia adotada.

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