Ataques atingem refinaria e usina de dessalinização no Kuwait
Refinaria Mina al-Ahmadi e instalação de energia são atingidas em meio à escalada de ataques no Golfo durante guerra entre EUA, Israel e Irã
247 - A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã atingiu diretamente o Kuwait nesta sexta-feira (3), quando uma usina de energia e dessalinização foi alvo de ataques atribuídos ao Irã, além de uma refinaria estratégica atingida por drones horas antes. O episódio ocorre no 35º dia de confrontos intensos na região do Golfo, ampliando a tensão e os riscos à infraestrutura crítica de energia e abastecimento de água, informa a Al Jazeera.
Autoridades kuwaitianas confirmaram que a usina foi atingida pouco antes das 12h (horário local), sem detalhar imediatamente a extensão dos danos. Mais cedo, a refinaria Mina al-Ahmadi — uma das maiores do Oriente Médio — também foi alvo de ataques com drones, provocando incêndios em diversas unidades operacionais, segundo a agência estatal KUNA.
Equipes de emergência e combate a incêndios foram mobilizadas rapidamente para conter as chamas na refinaria, enquanto órgãos ambientais passaram a monitorar a qualidade do ar na região. As autoridades negaram rumores sobre possível vazamento de radiação e informaram que não houve vítimas entre os trabalhadores.
O correspondente da Al Jazeera em Kuwait City, Malik Traina, destacou a relevância da refinaria para o país e a frequência dos ataques. “É uma das maiores refinarias do Oriente Médio e também é fundamental para o consumo local”, afirmou. Ele acrescentou que a localização geográfica do Kuwait aumenta sua vulnerabilidade: “É o país mais próximo do Irã – apenas 80 quilômetros separam o Kuwait da costa iraniana, então é talvez o mais facilmente atingido por esses ataques”.
Segundo a KUNA, sirenes de alerta e explosões no ar foram registradas em diferentes pontos do país, com sistemas de defesa interceptando mísseis iranianos ao longo do dia. A população permanece em estado de alerta máximo diante da intensificação dos ataques.
A dependência do Kuwait de água dessalinizada agrava o impacto dos bombardeios, já que essas instalações são essenciais para o abastecimento da população. No último dia 30 de março, um cidadão indiano morreu após um ataque semelhante atingir uma usina de energia e dessalinização no país. O Irã nega responsabilidade por esses episódios e atribui os ataques a Israel.
A escalada também atinge outros países do Golfo. Nos Emirados Árabes Unidos, o Ministério da Defesa informou que o país enfrenta uma nova onda de ataques com mísseis e drones. Fragmentos de um projétil interceptado provocaram incêndio na instalação de gás de Habshan, levando à suspensão das operações no local.
As defesas aéreas emiradenses interceptaram 19 mísseis balísticos e 26 drones apenas na quinta-feira (2), segundo autoridades locais, que também relataram duas mortes e 191 feridos de diferentes nacionalidades. Já a Arábia Saudita informou ter destruído um drone em seu espaço aéreo, enquanto o Bahrein acionou alarmes de mísseis três vezes durante a madrugada.
A ofensiva também alcançou infraestrutura tecnológica. A agência estatal iraniana IRNA afirmou que um centro de dados da Oracle em Dubai foi alvo de ataque em retaliação a bombardeios dos EUA e de Israel. No entanto, autoridades de Dubai classificaram a informação como “fake news”. A Amazon Web Services confirmou que dois de seus centros de dados nos Emirados foram atingidos diretamente, enquanto outro no Bahrein sofreu danos indiretos após um ataque próximo.
As ações têm causado interrupções localizadas em serviços digitais, segundo a Associated Press. Em meio à escalada, o porta-voz do Exército iraniano, Ebrahim Zolfaghari, advertiu que novas ofensivas podem atingir usinas de energia e empresas de telecomunicações com participação americana, caso os ataques ao território iraniano continuem.
O cenário evidencia uma ampliação do conflito para além do campo militar, atingindo diretamente infraestrutura energética, hídrica e tecnológica em toda a região do Golfo, com impactos crescentes sobre a população e a economia local.


