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Chanceler sinaliza que Irã ainda não definiu novo líder supremo

“Há muitos rumores circulando, mas temos que esperar que a Assembleia de Peritos se reúna e vote no novo líder supremo”, afirmou Abbas Araghchi

Pessoas marcham após o assassinato do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques israelenses e americanos, em Basra, Iraque, 1º de março de 2026 (Foto: REUTERS/Mohammed Aty)

247 - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que ainda não há definição sobre quem sucederá o atual líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei. Segundo ele, apesar de rumores sobre uma possível escolha antecipada, o processo formal depende da reunião da Assembleia de Peritos, órgão responsável por eleger a autoridade máxima do sistema político iraniano. A declaração foi feita durante entrevista ao programa “Meet the Press”, da NBC, neste domingo (8).

Durante a conversa, Araghchi destacou que não há confirmação oficial sobre qualquer sucessor e que a decisão ocorrerá apenas após deliberação do colegiado religioso. “Há muitos rumores circulando, mas temos que esperar que a Assembleia de Peritos se reúna e vote no novo líder supremo”, afirmou o chanceler.

A Assembleia de Peritos é composta por 88 clérigos de alto escalão e possui a atribuição constitucional de escolher — e eventualmente supervisionar — o líder supremo do Irã. Os integrantes desse conselho são eleitos diretamente pelos cidadãos iranianos.

Enquanto a assembleia não se reúne para deliberar sobre a sucessão, o país permanece sob a condução de um conselho de liderança interino. Segundo Araghchi, todas as instituições do Estado continuam funcionando normalmente nesse período de transição. Observadores políticos apontam que a nomeação de um novo líder só poderá ocorrer após uma sessão presencial da assembleia.

Durante a entrevista, o chanceler iraniano também comentou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou querer ter influência no processo de escolha da nova liderança iraniana. Araghchi rejeitou categoricamente qualquer participação externa. “Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. Isso depende do povo iraniano”, declarou. Ele reforçou: “É apenas assunto do povo iraniano”.

O ministro também respondeu a críticas e exigências vindas de Washington relacionadas ao conflito regional. Araghchi afirmou que o Irã não aceitará a exigência de rendição incondicional feita por Trump.

Segundo ele, o país havia aceitado um cessar-fogo em junho do ano passado, mas agora considera necessário estabelecer um acordo que garanta o fim definitivo das hostilidades. “Ninguém quer continuar esta guerra”, disse o chanceler.

Araghchi acrescentou que o Irã continuará atuando em legítima defesa. Ele também afirmou que o país não está atacando seus vizinhos da região, mas sim instalações e estruturas militares dos Estados Unidos localizadas em países árabes do Golfo.

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