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Com ataques ao Irã, EUA e Israel provocam a pior crise energética em décadas

A avaliação é de Fatih Birol, diretor de Agência Internacional de Energia: “nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise”

Trump e Netanyahu se reúnem na Casa Branca - 29/09/2025 (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)

247 - A escalada do conflito no Oriente Médio já provoca fortes repercussões no mercado global de energia e pode desencadear a pior crise do setor em décadas, segundo avaliação da Agência Internacional de Energia (AIE). O alerta foi feito pelo diretor da entidade, Fatih Birol, que destacou os riscos crescentes para o abastecimento de petróleo e para a economia mundial, informa o jornal O Globo.

Birol afirmou que o cenário atual representa uma ameaça significativa para o equilíbrio energético global e exige resposta coordenada entre os países. Segundo ele, o impacto do conflito já supera crises históricas, com perdas expressivas na oferta de petróleo e efeitos diretos nos preços internacionais

Durante discurso no National Press Club, na Austrália, o diretor da AIE comparou a situação atual com os choques do petróleo registrados na década de 1970. “Muitos de nós nos lembramos das duas crises consecutivas do petróleo na década de 1970 [...]. Em cada crise, o mundo perdeu cerca de cinco milhões de barris de petróleo bruto por dia”, afirmou

Ele ressaltou que o momento atual é ainda mais grave. “Atualmente, estamos perdendo 11 milhões de barris por dia, mais do que nos dois grandes choques do petróleo combinados”, declarou

O cenário de instabilidade energética tem origem na guerra iniciada em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que desorganizaram o fluxo global de petróleo e provocaram forte volatilidade nos preços da commodity

Birol reforçou que os efeitos da crise não se limitarão a regiões específicas e tendem a atingir toda a economia global. “A economia mundial enfrenta uma ameaça muito, muito séria hoje, e espero sinceramente que o problema seja resolvido em breve”, disse

O diretor da AIE também destacou que nenhum país deve escapar dos impactos caso o conflito se prolongue. “Nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se continuarmos neste caminho. Portanto, são necessários esforços em escala global”, afirmou

Diante desse cenário, a agência tem defendido a adoção de medidas emergenciais e cooperação internacional para evitar uma deterioração ainda maior no abastecimento energético e nos custos globais de energia

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