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Economist vê Trump num beco sem saída no Irã

Revista britânica aponta que todas as opções dos EUA no conflito com Teerã são desfavoráveis e carregam riscos estratégicos e econômicos

Ilustração mostra as bandeiras do Irã e dos EUA 27/01/2022 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa)

247 – Os Estados Unidos enfrentam um cenário altamente desfavorável em sua estratégia diante do Irã, com poucas alternativas viáveis e todas carregadas de riscos significativos. A avaliação é da revista britânica The Economist, em análise repercutida pela agência russa TASS, que aponta um verdadeiro impasse para o governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, no desenrolar do conflito no Oriente Médio.

Segundo a publicação, Washington dispõe de quatro possíveis caminhos: negociar, recuar, manter a atual ofensiva ou escalar o conflito. No entanto, nenhum deles oferece uma solução satisfatória. "Para quase todos os demais, está claro que os Estados Unidos entraram nesta guerra com uma estratégia falha, começando pela incapacidade de prever que o Irã fecharia o estreito", afirma a revista, em referência ao estratégico Estreito de Ormuz.

Estratégia falha e impasse militar

De acordo com o diagnóstico da The Economist, a crise atual é resultado de erros de cálculo por parte dos EUA. O bloqueio do Estreito de Ormuz — rota essencial para o transporte global de petróleo — agravou significativamente o cenário, elevando tensões e pressionando os mercados energéticos.

A revista destaca que, após semanas de combates, Trump ainda não definiu um rumo claro. "Com os combates entrando na quarta semana, Trump tem quatro opções: conversar, sair, continuar ou escalar. Se ainda não escolheu uma, é porque nenhuma delas é boa", aponta o texto.

Negociação enfrenta descrédito e obstáculos

A possibilidade de negociação é considerada especialmente complexa. Isso porque, nas duas ocasiões anteriores em que houve diálogo entre Washington e Teerã, os Estados Unidos lançaram ataques militares durante as tratativas, comprometendo a confiança entre as partes.

Além disso, a escolha de um mediador confiável surge como um desafio adicional, agravado pelas exigências consideradas maximalistas tanto dos EUA quanto do Irã.

Saída antecipada não resolve crise estrutural

Outra alternativa seria encerrar o conflito e declarar vitória. No entanto, segundo os analistas da revista, essa estratégia não resolveria questões centrais, como o estoque iraniano de urânio enriquecido, nem traria alívio imediato aos preços da energia.

Isso porque o controle do Estreito de Ormuz continuaria sob influência do Irã, mantendo o risco sobre o fluxo global de petróleo. Ao mesmo tempo, um recuo poderia prejudicar as relações dos EUA com aliados no Golfo Pérsico, já que Washington desempenha papel-chave na garantia da segurança energética da região.

Continuidade da guerra não garante resultados

A manutenção das operações militares também é vista como uma aposta incerta. Mesmo em cenários adversos, o Irã manteria capacidade de retaliar países vizinhos e bloquear novamente o estreito, ampliando o risco de desestabilização regional.

Escalada amplia riscos e pode atingir infraestrutura energética

Por fim, a escalada do conflito aparece como a opção mais perigosa. Segundo a The Economist, intensificar a guerra provavelmente exigiria operações terrestres, o que aumentaria significativamente os custos humanos, militares e políticos.

Além disso, há o risco de novos ataques iranianos contra infraestruturas energéticas em países vizinhos, o que poderia provocar uma crise ainda mais ampla no mercado global de energia.

Encruzilhada geopolítica

A análise reforça a percepção de que os Estados Unidos se encontram em uma encruzilhada estratégica no Oriente Médio, sem soluções fáceis ou rápidas. O impasse evidencia não apenas os limites da ação militar, mas também os efeitos de decisões anteriores que comprometeram a capacidade de negociação diplomática.

Diante desse cenário, o governo Trump enfrenta um dilema clássico de política externa: qualquer movimento pode aprofundar ainda mais a crise, tanto no campo militar quanto no econômico e diplomático.

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