Comando militar do Irã diz que seguirá atacando bases dos EUA no Oriente Médio
Horas antes, o presidente do país, Masoud Pezeshkian, pediu desculpas pelos ataques a países vizinhos
247 - O comando militar do Irã advertiu que continuará atacando forças dos Estados Unidos espalhadas pelo Oriente Médio, mesmo após o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, anunciar que Teerã interromperia ataques contra países vizinhos do Golfo que abrigam bases militares americanas. A declaração ocorreu em meio à escalada de tensões na região e ao aumento das hostilidades envolvendo instalações estratégicas.
Segundo informações publicadas pelo Financial Times, Pezeshkian divulgou uma mensagem em vídeo transmitida pela televisão estatal neste sábado (7), na qual pediu desculpas pelos ataques recentes contra países árabes da região. Na declaração, afirmou: “Não haverá novos ataques ou lançamentos de mísseis contra países vizinhos".
Apesar do pedido de desculpas, o presidente iraniano alertou que qualquer país que permita aos Estados Unidos usar seu território ou espaço aéreo para lançar ofensivas contra o Irã poderá se tornar alvo de retaliação. Ele também rejeitou uma exigência feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã se rendesse. Pezeshkian afirmou: “Eles levarão o desejo de nossa rendição incondicional para seus túmulos".
Pouco depois do pronunciamento, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya — responsável pelo comando das forças armadas iranianas — divulgou comunicado reiterando que as operações militares contra bases americanas e israelenses continuarão. O texto afirma que as forças armadas respeitam a soberania dos países vizinhos, mas advertiu que, “caso as ações hostis anteriores continuem, todas as bases e interesses militares” dos Estados Unidos e de Israel “em terra, mar e ar” na região se tornarão “alvos prioritários”.
Presidente iraniano pede desculpas a países vizinhos
Os ataques na região do Golfo continuaram nas primeiras horas deste sábado, com o lançamento de mísseis e drones contra Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar. O porta-voz das forças armadas iranianas, Abolfazl Shekarchi, declarou que o inimigo será considerado “um alvo legítimo... onde quer que seus ataques se originem”. Ele acrescentou que qualquer país que ofereça espaço aéreo, território ou instalações para operações militares também poderá ser atingido.
Todos os países do Golfo citados abrigam bases militares dos Estados Unidos, o que eleva o risco de ampliação do conflito. Donald Trump afirmou que o pedido de desculpas do presidente iraniano representaria uma “rendição”, além de declarar que o Irã poderia “colapsar completamente” e prometer ataques severos contra o país.
Pezeshkian, considerado uma figura moderada dentro da estrutura política iraniana, ocupa atualmente a liderança do país como parte de um conselho interino de três membros. O órgão foi criado após os Estados Unidos e Israel realizarem ataques contra o complexo do líder supremo em Teerã, operação que resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei e de outros altos dirigentes iranianos uma semana antes.
Forças armadas reafirmam ataques contra bases dos EUA e Israel
Analistas iranianos afirmam que a declaração do presidente pode indicar uma tentativa de persuadir países vizinhos a não participarem diretamente do conflito nem permitirem o uso de suas bases pelos Estados Unidos. No entanto, segundo especialistas, a mensagem não representa necessariamente uma busca imediata por cessar-fogo.
Antes da escalada militar, vários governos do Golfo defendiam que Washington adotasse uma estratégia diplomática com Teerã. No entanto, após uma semana de ataques iranianos, líderes da região passaram a reconsiderar suas opções diante do risco crescente de envolvimento direto no conflito.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a resposta militar do país foi planejada previamente para garantir continuidade mesmo diante de ataques à liderança iraniana. Em entrevista à rede Al Jazeera, declarou: “Nossas unidades militares agora são, de fato, independentes e um tanto isoladas, e estão agindo com base em instruções gerais dadas a elas antecipadamente".
Ele acrescentou que um ataque contra Omã, país que tradicionalmente mantém boas relações com Teerã e atuava como mediador entre Irã e Estados Unidos, “não foi nossa escolha”.
Escalada militar eleva tensão no Golfo e impacta petróleo
A intensificação dos ataques já provocou efeitos significativos na economia e na segurança regional. O preço do petróleo ultrapassou a marca de 90 dólares por barril, enquanto o tráfego aéreo no Oriente Médio sofreu fortes interrupções.
Além disso, a navegação pelo Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás comercializados no mundo — desacelerou drasticamente devido ao aumento do risco de ataques.
Autoridades da Arábia Saudita informaram que interceptaram 21 drones lançados em direção ao campo petrolífero de Shaybah, que produz cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia. O episódio marcou a primeira tentativa de atingir diretamente o coração da produção energética do país.
Nos Emirados Árabes Unidos, autoridades de Dubai afirmaram que destroços resultantes da interceptação de um ataque foram contidos após relatos de explosões e fumaça nas proximidades do principal aeroporto internacional da cidade.
Enquanto isso, companhias aéreas começaram a retomar gradualmente operações na região. A Emirates anunciou que pretende restabelecer voos para seus destinos habituais nos próximos dias, enquanto a Qatar Airways informou que iniciará voos de alívio após a reabertura parcial do espaço aéreo do país pela primeira vez em uma semana.


