HOME > Mundo

"É culpa dos Estados Unidos", diz chanceler sobre ataques do Irã a cidades do Golfo

Chanceler iraniano afirma que os Estados Unidos deslocaram militares norte-americanos para hotéis e outras estruturas em cidades da região

Abbas Araghchi (Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS )

247 - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os ataques iranianos contra áreas urbanas em países do Golfo não são responsabilidade de Teerã, atribuindo a situação à presença de forças dos Estados Unidos em locais civis. Segundo ele, militares americanos teriam sido deslocados de bases oficiais para hotéis e outras estruturas em cidades, tornando esses pontos alvos potenciais. As declarações foram feitas em entrevista à rede Al Jazeera.

Durante a entrevista, exibida nesta quarta-feira (18), Araghchi declarou: “não nos limitamos às bases oficiais dos inimigos. Onde quer que as forças americanas estivessem reunidas, onde quer que estivessem suas instalações, foram alvos”. Ele acrescentou que a proximidade com áreas urbanas decorre de decisões dos próprios Estados Unidos: “alguns desses lugares podem estar próximos de áreas urbanas, isso não é culpa nossa, é culpa dos Estados Unidos”.

O chanceler também afirmou que a atuação americana contribuiu diretamente para a escalada de tensões na região. “Eles moveram suas forças de bases militares para hotéis nas cidades; em geral, é o comportamento dos Estados Unidos que trouxe a região a esta situação”, disse.

Apesar das declarações, o embaixador iraniano junto à ONU em Genebra, Ali Bahreini, já havia sustentado anteriormente que o país “alvo exclusivamente bases militares” e não locais civis em países árabes do Golfo, indicando uma tentativa de diferenciar os alvos estratégicos das consequências colaterais dos ataques.

No campo diplomático, Araghchi afirmou que o Irã não busca um cessar-fogo limitado com os Estados Unidos e Israel, mas sim o fim completo do conflito. Segundo ele, a prioridade de Teerã é encerrar a guerra “em todas as frentes”.

Outro ponto abordado foi o futuro do Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo mundial. O ministro defendeu a criação de novas regras para a navegação na região após o fim das hostilidades. “Precisamos projetar novos arranjos para o Estreito de Ormuz e a forma como os navios passarão por ele no futuro após a guerra, para que a navegação pacífica possa ser mantida permanentemente sob regulamentações claras”, afirmou.

Araghchi também minimizou o impacto da morte de Ali Larijani, uma das principais autoridades de segurança nacional do país. Segundo ele, a estrutura política iraniana permanece sólida. “O Irã tem uma estrutura política forte, e a presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”, declarou.

Artigos Relacionados