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Embaixada de Israel facilitou fuga de soldado acusado de crimes de guerra do Brasil para a Argentina

Soldado israelense deixou o Brasil sob escolta diplomática após pedido de investigação da Justiça Federal, gerando tensão entre os governos

Daniel Zonshine, embaixador de Israel no Brasil

247 - A Embaixada de Israel no Brasil desempenhou papel crucial na fuga de Yuval Vagdani, soldado israelense acusado de possíveis crimes de guerra, do território brasileiro para a Argentina. Segundo fontes oficiais, a ação foi coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel após a Justiça Federal brasileira determinar que a Polícia Federal (PF) investigasse o militar.

De acordo com a CNN, o governo de Benjamin Netanyahu afirmou que “após uma tentativa de elementos anti-israelenses de investigar um soldado israelense dispensado que visitou o Brasil, o ministro das Relações Exteriores Gideon Saar ativou imediatamente o Ministério para garantir que o cidadão israelense não estava em perigo”.

A operação de retirada, clossificada como "rápida e segura" pelo Ministério das Relações Exteriores israelense, foi acompanhada diretamente pela embaixada em Brasília, que garantiu a escolta diplomática do soldado até a fronteira com a Argentina. A ação gerou reações inflamadas tanto no cenário político de Israel quanto nas relações diplomáticas com o Brasil.

A investigação contra Vagdani foi solicitada à Justiça Federal por meio de uma notícia-crime apresentada pelos advogados Maira Machado Frota Pinheiro e Caio Patrício de Almeida. O documento alega que o soldado, identificado como possível “criminoso de guerra”, estava em território brasileiro, especificamente no balneário de Morro de São Paulo, na Bahia.

A juíza Raquel Soares Charelli, da Justiça Federal, determinou a abertura da investigação com base nos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, como a Convenção de Genebra e o Estatuto de Roma. Com a suspeita de que Vagdani estaria envolvido em crimes cometidos fora do Brasil, a competência para o caso foi importante para o Distrito Federal.

A notícia de que Vagdani estaria sendo investigado desencadeou uma operação emergencial do governo israelense, que mobilizou uma embaixada para retirá-lo do Brasil. Ele foi escoltado por autoridades diplomáticas até a Argentina, onde conseguiu embarcar para outro destino ainda não divulgado.

Repercussão política em Israel

A retirada de Vagdani também inflamou o cenário político em Israel, com opositores e governantes trocando acusações sobre a condução do caso. O líder da oposição, Yair Lapid, criticou duramente o governo Netanyahu, afirmando que “o fato de um soldado israelense precisa fugir do Brasil no meio da noite é uma falha monumental de um governo que não funciona”.

Em resposta, o chanceler Gideon Saar acusou Lapid de explorar politicamente a situação. “O que estamos testemunhando é uma campanha sistemática e antissemita para negar o direito de Israel à autodefesa. Lapid, o charlatão, sabe que casos semelhantes ocorreram em sua gestão”, afirmou Saar.

Lapid rebateu as declarações de Saar, acusando-o de negligência: “Em vez de proteger nossos soldados que são perseguidos no mundo, sugiro que você faça o seu trabalho, para variar”.

Impactos diplomáticos entre Brasil e Israel

O caso gerou polêmica nas relações entre Brasil e Israel, especialmente após declarações de autoridades israelenses acusando o governo brasileiro de antissemita. A investigação brasileira segue em curso, agora sob a condução da Polícia Federal, que deve realizar diligências a partir de documentos enviados pelo Ministério Público Federal.

O governo brasileiro, até o momento, não comentou as declarações do chanceler israelense. 

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