"Esta guerra não tem nada a ver com a Otan": aliados dos EUA negam ajuda a Trump no Estreito de Ormuz
Países europeus, asiáticos e da Oceania adotam cautela diante da pressão dos EUA para tomar o controle da rota estratégica do petróleo
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) poderá enfrentar um futuro “muito ruim” caso aliados não ajudem a garantir a segurança no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo que, segundo ele, está atualmente bloqueada pelo Irã. A declaração provocou reações cautelosas de diversos países e blocos internacionais diante do pedido de Washington para ampliar a presença militar na região.
A passagem marítima localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã é considerada uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de energia. Diante da pressão dos Estados Unidos para que aliados participem de uma operação de segurança na área, governos da Europa, da Ásia e da Oceania passaram a esclarecer suas posições sobre um eventual envolvimento militar.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou o apelo do governo norte-americano para que parceiros internacionais intensifiquem seus esforços no Estreito de Ormuz. Segundo ela, países como a China e os aliados da OTAN também se beneficiam das agressões militares realizadas pelos Estados Unidos contra o Irã e, por isso, deveriam contribuir para garantir a reabertura da rota energética.
“Acho que o presidente está absolutamente certo ao pedir que esses países façam mais para ajudar os Estados Unidos a reabrir o Estreito de Ormuz, para que possamos impedir que esse regime terrorista restrinja o livre fluxo de energia”, declarou Leavitt a jornalistas. Ela acrescentou: “O fato de estarem fazendo isso apenas reforça o motivo pelo qual o presidente Trump precisava tomar essa medida em primeiro lugar”.
Apesar da pressão de Washington, até o momento nenhum país anunciou o envio de navios de guerra para a região.
No âmbito da União Europeia, a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, afirmou que manter o Estreito de Ormuz aberto é de interesse europeu. Ao mesmo tempo, destacou limites institucionais para uma eventual atuação da OTAN. Segundo ela, “está fora da área de atuação da OTAN” e também ressaltou que “não há países da OTAN no Estreito de Ormuz”.
Na Alemanha, o governo também descartou uma participação da aliança militar na crise. Um porta-voz do governo alemão afirmou que “esta guerra não tem nada a ver com a OTAN. Não é a guerra da OTAN”. O ministro das Relações Exteriores alemão, Johann Wadephul, reforçou essa posição ao declarar a jornalistas que não vê papel para membros da aliança no Estreito de Ormuz.
O Reino Unido adotou um tom diferente, indicando disposição para trabalhar em coordenação com parceiros internacionais. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que o país está atuando com aliados “para reunir um plano coletivo viável que possa restaurar a liberdade de navegação na região o mais rápido possível e reduzir o impacto econômico”.
Na região da Ásia-Pacífico, a Austrália também sinalizou que não pretende se envolver diretamente na operação. Embora não tenha recebido pedido formal do governo norte-americano para enviar embarcações, a ministra dos Transportes australiana informou que o país não enviará navios para o estreito.
A China, por sua vez, evitou responder diretamente se recebeu solicitações dos Estados Unidos. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês pediu contenção e diálogo entre as partes envolvidas, afirmando que “todas as partes devem cessar imediatamente as ações militares, evitar uma nova escalada de tensões e impedir que a instabilidade regional cause impactos ainda maiores no desenvolvimento econômico global”.
No Japão, a primeira-ministra Sanae Takaichi informou ao parlamento que o país não planeja, no momento, enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz.
As respostas indicam que, apesar da pressão exercida pelo governo dos Estados Unidos, aliados e parceiros internacionais ainda demonstram cautela diante da possibilidade de ampliar sua presença militar em uma das rotas marítimas mais estratégicas para o abastecimento energético mundial.


