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EUA tentam formar coalizão internacional para tomar o controle do Estreito de Ormuz

Aliados dos Estados Unidos, no entanto, resistem a embarcar na guerra de Donald Trump contra o Irã

Mapa mostra o Estreito de Hormuz e o Irã atrás de uma miniatura impressa em 3D do presidente dos EUA, Donald Trump, nesta ilustração 22/06/2025 REUTERS/Dado Ruvic (Foto: REUTERS/Dado Ruvic)

247 - Autoridades do governo dos Estados Unidos intensificaram nos últimos dias uma ofensiva diplomática para reunir apoio internacional a uma coalizão destinada a reforçar a segurança no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de energia. O movimento atende a um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que países aliados contribuam com meios militares para proteger a navegação na região. A informação foi divulgada por fontes familiarizadas com as negociações e publicada pela CNN.

Segundo autoridades americanas ouvidas pela emissora, o objetivo é anunciar nos próximos dias a formação de um novo grupo de países comprometidos com a segurança do estreito, embora ainda existam incertezas sobre quais nações participarão e quando o anúncio oficial será feito. Mesmo aliados tradicionais dos Estados Unidos demonstram cautela diante da possibilidade de enviar forças militares para uma área considerada altamente sensível enquanto o conflito armado na região permanece em andamento.

De acordo com integrantes do governo norte-americano, a expectativa é ao menos obter compromissos preliminares de apoio para a proteção da rota marítima. Detalhes operacionais — como quais navios seriam mobilizados e em que momento ocorreriam os deslocamentos — poderiam ser definidos posteriormente.

O presidente dos Estados Unidos conversou no domingo à noite com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, mas o diálogo não resultou em um anúncio imediato sobre o envio de ativos militares do Reino Unido para a região. A expectativa da Casa Branca é que Trump mantenha novas conversas com líderes estrangeiros ao longo da semana.

Entre os encontros previstos está a visita da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, que deverá ir à Casa Branca na quinta-feira para sua primeira reunião oficial com Trump desde que assumiu o cargo. Até agora, porém, o governo japonês também tem evitado assumir compromisso claro sobre o envio de navios de guerra ao Estreito de Ormuz.

Autoridades da administração norte-americana avaliam que o conflito envolvendo o Irã poderá durar entre quatro e seis semanas. Esse cálculo indicaria que ainda restariam pelo menos duas semanas de confrontos. Segundo essas avaliações, operações conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel teriam causado danos significativos ao arsenal de mísseis iranianos, às defesas aéreas e à capacidade naval do país.

Apesar disso, o governo iraniano permanece no poder e continua demonstrando capacidade de ameaçar países vizinhos e afetar rotas estratégicas do comércio energético global, incluindo o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.

Autoridades europeias, por sua vez, manifestaram preocupação com a possibilidade de que Trump declare vitória militar nas próximas semanas e transfira aos aliados europeus a responsabilidade de patrulhar a área posteriormente. Segundo essas fontes, houve pouca tentativa de obter apoio prévio dos aliados antes do início da guerra.

Ainda assim, governos europeus reconhecem a necessidade de lidar com a situação de forma cautelosa. Entre os receios diplomáticos está o risco de deteriorar relações com Washington em um momento em que outro conflito internacional — a guerra na Ucrânia — permanece em um ponto considerado crítico no cenário geopolítico global.

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