EUA e Irã divergem sobre cobrança de 'pedágio' no Estreito de Ormuz
Trump diz que acordo impede pedágio em Ormuz, mas Teerã afirma que navios pagarão taxa por serviços marítimos
247 - Estados Unidos e Irã apresentaram versões diferentes sobre uma possível cobrança no Estreito de Ormuz após o anúncio de um acordo entre os dois países: Donald Trump afirma que não haverá pedágio para navios que cruzarem a rota estratégica, enquanto Teerã diz que aplicará uma taxa por serviços marítimos, relata o G1.
A divergência surgiu depois que Trump declarou, em entrevista ao jornal The New York Times, que o acordo firmado entre Washington e Teerã prevê a isenção permanente de qualquer pedágio no Estreito de Ormuz. A cobrança havia sido sugerida pelo Irã durante o conflito, mas, segundo o presidente norte-americano, não fará parte das regras de circulação após o pacto.
Trump também afirmou que navios carregados de petróleo já começaram a deixar o Estreito de Ormuz pela rota sul, área mais distante do território iraniano e próxima a Omã e à Arábia Saudita. Em publicação na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos disse que a passagem estaria segura.
"Os navios estão começando a se movimentar, muitos carregados de petróleo, para fora do Estreito de Ormuz. Eles estão seguindo pela 'Rodovia' do Sul, que é totalmente segura e preservada. Existem outras rotas de navegação também!!!", escreveu Trump.
Irã nega pedágio, mas confirma taxa marítima
Apesar da posição apresentada por Trump, o governo iraniano afirmou nesta segunda-feira que pretende cobrar uma "taxa por serviço" dos navios que atravessarem o estreito. Teerã, no entanto, sustenta que a medida não deve ser tratada como pedágio de trânsito.
"Sempre afirmamos que não pretendemos cobrar taxas de trânsito, mas serão cobradas taxas por serviços de navegação, proteção ambiental, seguro de navios e outros serviços necessários", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei.
A declaração iraniana abre uma disputa de interpretação sobre o alcance do acordo. Enquanto Trump apresenta o pacto como uma garantia de livre passagem sem cobrança, o Irã diferencia pedágio de taxas associadas a serviços prestados às embarcações que circulam pela região.
Até a última atualização desta reportagem, o governo norte-americano ainda não havia se manifestado sobre a taxa anunciada por Teerã. O Irã, que margeia grande parte do Estreito de Ormuz, controla na prática parcela significativa do trânsito pelo canal.
Rota é estratégica para o petróleo mundial
O Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais importantes do mundo para o comércio de energia. Pela região circulam navios responsáveis pelo transporte de cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos globalmente.
Por esse motivo, qualquer mudança nas regras de navegação, cobrança ou segurança no canal tem impacto direto sobre o mercado internacional de petróleo. A retomada da circulação de navios, mencionada por Trump, ocorre em meio à expectativa pela assinatura formal do acordo.
O pacto foi anunciado no domingo (14) por todas as partes envolvidas, após mais de três meses de guerra entre Estados Unidos e Irã. Segundo o Paquistão, que atuou como mediador nas negociações, o documento será assinado na sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça.
Trump cita China e Rússia e critica Netanyahu
Na entrevista ao The New York Times, Trump afirmou que os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, ajudaram na construção do acordo de paz com o Irã. O presidente norte-americano agradeceu aos dois líderes, mas criticou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Trump disse que, apesar das objeções de Netanyahu ao acordo, teria protegido Israel de uma ameaça nuclear: "apesar das objeções do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a acordo, salvei Israel da destruição nuclear".
Trump tem demonstrado irritação com Netanyahu por causa dos ataques de Israel ao Líbano. Os dois teriam discutido de forma acalorada por telefone na semana anterior.
O presidente norte-americano afirmou ainda que, caso o Irã não assinasse o acordo, ele passaria a atuar como uma espécie de "guardião do Oriente Médio", capturando 20% das receitas geradas na região. A fala reforça o peso econômico e geopolítico do Estreito de Ormuz nas negociações entre Washington e Teerã.



