EUA e Irã trocam acusações e clima esquenta em conferência da ONU
Diplomatas elevam tom e ampliam tensão sobre o Tratado de Não-Proliferação Nuclear
247 - Os Estados Unidos e o Irã entraram em choque na Organização das Nações Unidas ao trocar acusações no início da 11ª conferência para analisar a implementação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que entrou em vigor em 1970. O evento começou nesta segunda-feira (27) na ONU, em Nova York (EUA), e deve se estender por um mês, de acordo com informações divulgadas pela Reuters.
Embaixador de Teerã na Agência Internacional de Energia Atômica, Reza Najafi afirmou que o secretário-assistente do Escritório de Controle de Armas e Não Proliferação dos EUA, Christopher Yeaw, concedeu uma declaração "sem fundamento e politicamente motivada".
"É indefensável que os Estados Unidos, como o único Estado que já usou armas nucleares e que continua a expandir e modernizar seu arsenal nuclear... busque se posicionar como árbitro de compliance", disse o diplomata Najafi.
Em seu discurso, Christopher Yeaw havia disparado críticas ao afirmar que o Irã "há muito tempo demonstra seu desprezo pelos compromissos de não proliferação do TNP".
A questão nuclear tem sido o centro da guerra de dois meses dos EUA e Israel contra o Irã, com o presidente dos EUA, Donald Trump, reiterando no domingo que o Irã nunca poderá ter uma arma nuclear. O Irã há muito tempo exige que Washington reconheça seu direito de enriquecer urânio, que Teerã diz buscar apenas para fins pacíficos, mas que as potências ocidentais dizem que poderia ser usado para fabricar armas nucleares.
O conflito e o impasse do cessar-fogo
Em 7 de abril foi anunciado o cessar-fogo entre EUA e Irã. O acordo expirou no último dia 22. Um dia antes, o presidente estadunidense, Donald Trump, anunciou que o cessar-fogo se estenderia, mas não deixou claro por quanto tempo a medida continua em vigor.
O governo trumpista acusou o país asiático de implementar medidas para o desenvolvimento de bomba nuclear e começou os ataques contra o território iraniano em 28 de fevereiro. Mas, de acordo com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, inspetores da ONU não encontraram provas de que o Irã esteja conduzindo um programa coordenado para desenvolver armas nucleares.
Fontes iranianas divulgaram nesta segunda (27) a mais recente proposta de Teerã para encerrar o conflito, que deixaria de lado a discussão sobre o programa nuclear de Teerã até que a guerra terminasse e as disputas sobre o transporte marítimo do Golfo Pérsico fossem resolvidas.
Trump e seus principais assessores de segurança nacional se reuniram para discutir o conflito nesta segunda-feira e a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse aos repórteres que "as linhas vermelhas do presidente com relação ao Irã ficaram muito, muito claras, não apenas para o público norte-americano, mas também para eles".



