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EUA vão apresentar acusações criminais contra tripulação do petroleiro Marinera

Governo americano investiga suposta evasão de fiscalização e transporte de petróleo sancionado

Navio petroleiro Bella-1/Marinera no Estreito de Cingapura - 18/03/2025 (Foto: Hakon Rimmereid via REUTERS)

247 - Autoridades dos Estados Unidos anunciaram que vão apresentar acusação criminal contra os membros da tripulação do navio-tanque Marinera, também conhecido anteriormente como Bella 1, informou a agência de notícias TASS, citando a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi.

A procuradora escreveu na rede social X, que os tripulantes fizeram “esforços frenéticos para evitar a apreensão” do petroleiro, que, conforme autoridades americanas, estaria envolvido no transporte de petróleo sancionado da Venezuela e do Irã. Em sua declaração, a procuradora-geral enfatizou que “como consequência do descumprimento das ordens da Guarda Costeira, os membros desta embarcação estão sob investigação completa e serão apresentados processos criminais contra todos os culpados”.

Ela acrescentou que o Departamento de Justiça dos EUA está monitorando outras embarcações para ações semelhantes de fiscalização e que “qualquer pessoa a bordo de qualquer embarcação que não obedecer às instruções da Guarda Costeira ou de outros funcionários federais será investigada e processada com todo o rigor da lei”.

A Casa Branca, por meio de sua secretária de imprensa, Karoline Leavitt, indicou em coletiva de imprensa que os Estados Unidos podem levar a tripulação do Marinera para os EUA, onde poderão ser denunciados por supostas violações da lei federal norte-americana. Informações divulgadas anteriormente pelas Forças Armadas americanas apontam que o petroleiro, de bandeira russa, foi detido no Atlântico Norte, num movimento que o Pentágono vinculou ao embargo ao petróleo venezuelano.

Autoridades russas reagiram à ação, reforçando que a abordagem ocorreu em águas internacionais, fora das águas territoriais de qualquer país, e invocaram a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, que consagra o princípio da liberdade de navegação e proíbe o uso de força contra embarcações devidamente registradas sob a jurisdição de outros Estados.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que está “acompanhando de perto as notícias sobre a abordagem das tropas americanas” à embarcação Marinera e exigiu que os Estados Unidos proporcionem tratamento adequado e humano aos tripulantes, respeitando rigorosamente seus direitos e interesses e garantam que não sejam impostas barreiras para seu retorno à pátria.

A operação ocorre em meio a um contexto mais amplo de tensão por bloqueios e ações de interdição de navios suspeitos de transportar petróleo sancionado da Venezuela e de outras nações sob restrições americanas, parte de uma campanha de fiscalização intensificada nos últimos meses. Operações anteriores envolveram perseguições e abordagens de navios como o Centuries e o Skipper no Caribe e no Atlântico, ampliando o impacto geopolítico sobre o comércio de petróleo e as sanções internacionais. As investigações e possíveis acusações criminais contra a tripulação do Marinera elevam ainda mais a já delicada relação entre Estados Unidos e Rússia, com implicações diretas para a diplomacia, o direito marítimo internacional e o cumprimento de sanções econômicas.

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