Reino Unido deu suporte aos EUA para apreensão de petroleiro russo
Ação no Atlântico Norte contou com apoio militar britânico e amplia tensões diplomáticas entre Washington e Moscou
247 - O Reino Unido confirmou que prestou apoio direto aos Estados Unidos na operação que resultou na apreensão de um petroleiro de bandeira russa no Atlântico Norte, em uma ação que reacendeu disputas diplomáticas entre potências e levantou questionamentos sobre a aplicação de sanções internacionais em alto-mar.
Segundo a agência Reuters, o Ministério da Defesa britânico afirmou que as Forças Armadas do país forneceram “apoio operacional pré-planejado, incluindo o estabelecimento de bases”, após solicitação formal dos Estados Unidos. Um navio militar britânico deu suporte às forças norte-americanas durante a perseguição ao petroleiro, enquanto a Força Aérea Real atuou com vigilância aérea ao longo da operação.
Em comunicado oficial, o ministro da Defesa do Reino Unido, John Healey, declarou que a ação teve como alvo uma embarcação “com um histórico nefasto” supostamente associada a esquemas de evasão de sanções impostas à Rússia e ao Irã. “Esta ação fez parte dos esforços globais para reprimir o descumprimento de sanções”, afirmou. O governo britânico informou ainda que o navio-tanque, anteriormente conhecido como Bella-1 e atualmente chamado Marinera, está sob sanções dos Estados Unidos no âmbito das medidas contra o Irã, e que o apoio britânico foi prestado “em total conformidade com o direito internacional”.
A apreensão foi anunciada oficialmente pelo Comando Europeu dos Estados Unidos (EUCOM), que informou que a operação ocorreu no Atlântico Norte com base em um mandado emitido por um tribunal federal norte-americano, após monitoramento conduzido pela Guarda Costeira dos EUA. De acordo com a Fox News, a abordagem aconteceu em uma área marítima entre as Ilhas Britânicas e a Islândia, e envolveu também o Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, sob a alegação de violações às sanções impostas por Washington.
A reação russa foi imediata. Um protesto formal foi apresentado por Moscou, que classificou a ação como violação do direito internacional marítimo. O Ministério dos Transportes da Rússia informou ter perdido completamente o contato com o petroleiro após a abordagem em águas internacionais. Em nota citada pela Reuters, o órgão afirmou que, “de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, a liberdade de navegação aplica-se em alto mar, e nenhum Estado tem o direito de usar a força contra embarcações devidamente registradas nas jurisdições de outros Estados”.
No plano político, a apreensão foi duramente criticada por autoridades russas. Andrei Klishas, parlamentar de alto escalão do partido governista Rússia Unida, declarou à agência estatal TASS que a ação dos Estados Unidos configurou “um ato de pirataria descarada”.
O episódio ocorre em meio a uma ofensiva mais ampla de Washington contra navios associados ao transporte de petróleo venezuelano. Após a apreensão do Marinera, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio ao petróleo venezuelano segue em vigor em escala global. “O bloqueio ao petróleo venezuelano sancionado e ilícito permanece em PLENO VIGOR — em qualquer parte do mundo”, escreveu. Em outra declaração, reforçou: “Os Estados Unidos continuam a aplicar o bloqueio contra todos os navios da frota clandestina que transportam ilegalmente petróleo venezuelano para financiar atividades ilícitas, roubando o povo venezuelano. Somente o comércio de energia legítimo e legal — conforme determinado pelos EUA — será permitido”.
Também nesta quarta-feira (7), o Comando Sul dos Estados Unidos informou a apreensão de um petroleiro sem nacionalidade no mar do Caribe. Em publicação na rede X, o órgão declarou: “Em uma ação realizada antes do amanhecer desta manhã, o Departamento de Guerra, em coordenação com o Departamento de Segurança Interna, apreendeu sem incidentes um petroleiro motorizado da chamada frota obscura, sem nacionalidade e sob sanções”. A embarcação, identificada como M/T Sophia, está sendo escoltada para território norte-americano.
As medidas adotadas por Washington têm impacto direto sobre o setor energético da Venezuela. Segundo a Reuters, as exportações de petróleo do país estão atualmente paralisadas após o bloqueio imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a todos os petroleiros sancionados, sem registros recentes de pedidos de autorização para saída de navios já carregados.
O aumento da pressão militar e jurídica ocorre em um cenário de escalada ainda mais ampla. No sábado (3), os Estados Unidos realizaram uma operação de grande escala envolvendo a Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. Donald Trump anunciou que ambos seriam julgados por suposto envolvimento com “narco-terrorismo” e por representarem uma ameaça aos Estados Unidos, aprofundando um quadro de tensão internacional que agora se estende do Caribe ao Atlântico Norte.



