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França investiga Israel por crimes de guerra contra ativistas de flotilha humanitária

Ministério Público investiga denúncias de tortura de integrantes da flotilha com ajuda humanitrária que seguia rumo à Gaza durante prisão ilegal em Israel

Ativistas da Flotilha Global Sumud ajoelhados durante prisão ilegal por Israel (Foto: Reprodução X / Itamar Ben-Gvir)
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247 - A França abriu uma investigação para apurar possíveis crimes de guerra e atos de tortura supostamente cometidos contra ativistas franceses que participavam de uma flotilha humanitária com destino à Faixa de Gaza. 

Segundo o jornal O Globo, a apuração foi instaurada pelo Ministério Público Nacional Antiterrorismo (PNAT) após solicitação do governo francês. A iniciativa ocorre depois que participantes da flotilha denunciaram maus-tratos e violência durante o período em que permaneceram sob custódia das autoridades israelenses, após serem interceptados em águas internacionais em maio.

Interceptação da flotilha provoca reação internacional

Em 18 de maio, forças israelenses interceptaram, em águas internacionais, mais de 50 embarcações da flotilha Global Sumud, que havia partido da Turquia com o objetivo de levar alimentos, medicamentos e ajuda humanitária à população da Faixa de Gaza.

Segundo os organizadores, mais de 430 ativistas de 41 países foram detidos durante a operação, incluindo 37 franceses. Após a abordagem, os participantes foram levados para centros de detenção em Israel antes de serem deportados.

O governo israelense classificou a iniciativa como uma ação de propaganda em benefício do Hamas e justificou a operação como parte da política de bloqueio marítimo imposta ao território palestino.

Denúncias incluem agressões físicas e violência sexual

Diversos ativistas relataram abusos durante o período de detenção. Os organizadores da flotilha afirmam que houve pelo menos 15 casos de agressão sexual, além de espancamentos e outras formas de violência.

Em comunicado, a Global Sumud Flotilla declarou que participantes foram “baleados à queima-roupa com balas de borracha” e que dezenas de pessoas sofreram fraturas e ferimentos.

A ativista francesa Meriem Hadjal afirmou ter sido “submetida a violência sexual e apalpada” durante a custódia. Ela também relatou ter sofrido agressões físicas. “Joelhadas nas costelas” e puxões de cabelo foram algumas das agressões descritas pela ativista após retornar à França.

Outra cidadã francesa declarou que os detidos eram obrigados a permanecer por horas em uma “posição de estresse”, ajoelhados com a testa encostada ao chão, enquanto o hino nacional israelense era reproduzido repetidamente.

Relatos de ativistas reforçam acusações

O jornalista italiano Alessandro Mantovani, do jornal Il Fatto Quotidiano, e o deputado italiano Dario Carotenuto, do Movimento Cinco Estrelas, também denunciaram abusos durante a detenção. Mantovani afirmou ter sido espancado e transferido para um centro de detenção improvisado em contêineres marítimos, que descreveu como “um lugar de terror”.

O ativista britânico Richard Johan Anderson fez uma das denúncias mais contundentes. “fFomos espancados, torturados, sistematicamente desumanizados e tivemos apenas uma pequena amostra do que os palestinos enfrentam todos os dias”, afirmou.

A organização israelense de direitos humanos Adalah, que representa os detidos, informou que identificou “ferimentos graves e generalizados” e que ao menos três ativistas precisaram ser hospitalizados.

Segundo a entidade, advogados que tiveram acesso aos participantes da flotilha receberam “um grande número de denúncias de violência extrema” atribuídas às autoridades responsáveis pela operação.

Israel rejeita acusações

As autoridades israelenses negaram as denúncias. O Serviço Prisional de Israel afirmou que todos os detidos foram mantidos de acordo com a legislação vigente e classificou as acusações como falsas.

As Forças Armadas de Israel também rejeitaram as alegações. Em nota enviada à BBC, o órgão declarou que seus protocolos determinam tratamento “respeitoso e apropriado” aos participantes da flotilha.

“Não há conhecimento, dentro das Forças Armadas de Israel, de incidentes específicos que representem desvios desses procedimentos obrigatórios. Quaisquer denúncias concretas apresentadas às IDF sobre o assunto serão examinadas minuciosamente”, informou a instituição.

Caso amplia pressão internacional sobre Israel

As denúncias tiveram repercussão internacional. O governo do Canadá informou ter recebido relatos de “abusos chocantes” envolvendo cidadãos canadenses. Alemanha e Espanha também confirmaram que alguns de seus nacionais sofreram ferimentos durante a operação.

O episódio ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de um vídeo do ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, no qual ele aparece zombando dos ativistas enquanto estavam amarrados. A gravação gerou críticas de governos e organizações internacionais. Em resposta ao episódio, a França proibiu a entrada do ministro israelense em seu território.

Com a abertura da investigação, as autoridades francesas passam a avaliar se as denúncias apresentadas pelos ativistas configuram violações do direito internacional humanitário e possíveis crimes de guerra relacionados à operação conduzida por Israel contra a flotilha humanitária que seguia para Gaza.

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