Irã diz que pode estrangular fornecimento de petróleo por anos
Governo iraniano eleva o tom diante de ameaças dos EUA e avanço das operações militares
247 - O Irã elevou o tom contra os Estados Unidos e seus aliados ao ameaçar interromper o fornecimento de petróleo e gás da região por anos, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio e à intensificação de confrontos militares e negociações diplomáticas sensíveis, segundo a agência AFP.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que poderá agir diretamente contra infraestruturas energéticas estratégicas. Em comunicado divulgado pela televisão estatal, a corporação declarou: "Demonstramos até agora uma grande contenção com um espírito de boa vizinhança, mas essas reservas ficam, a partir de agora, suspensas". O grupo também alertou: "Se o exército terrorista americano cruzar as linhas vermelhas, nossa resposta se estenderá além da região".
Enquanto a retórica se intensifica, as negociações diplomáticas caminham para um momento decisivo. O embaixador iraniano no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, afirmou que os esforços para encerrar o conflito estão próximos de um ponto crítico. "Os esforços positivos e construtivos empreendidos pelo Paquistão (...) para encerrar a guerra estão se aproximando de uma etapa crítica e delicada", escreveu o diplomata na rede social X.
Paralelamente às tratativas, o cenário militar se deteriora rapidamente. O Exército israelense anunciou uma nova "onda" de ataques aéreos com o objetivo de atingir estruturas ligadas ao governo iraniano em Teerã e outras regiões do país. Explosões foram registradas na capital iraniana e na cidade de Karaj, segundo agências locais.
Em resposta, Israel informou ter detectado mísseis lançados a partir do Irã, acionando seus sistemas de defesa aérea. A Arábia Saudita também relatou a interceptação de sete mísseis balísticos direcionados ao leste do país, com destroços caindo próximos a instalações elétricas.
O conflito já afeta civis e áreas fora dos principais focos de combate. No Curdistão iraquiano, um drone atribuído ao Irã atingiu uma residência e matou um casal, segundo autoridades locais. Na Arábia Saudita, um complexo petroquímico em Jubail foi atingido por ataques noturnos, conforme fontes locais.
Em Teerã, uma sinagoga foi completamente destruída após bombardeios atribuídos a forças israelenses e americanas. "Segundo informações preliminares, a sinagoga Rafi-Nia (...) foi totalmente destruída nos ataques desta manhã", informou o jornal Shargh.
Diante do aumento dos riscos, Israel emitiu um alerta direto à população iraniana para evitar deslocamentos ferroviários. "Prezados cidadãos, para sua segurança, pedimos que se abstenham de utilizar os trens ou de viajar de trem em todo o país até 21h, horário do Irã", comunicaram as forças militares. O aviso acrescenta: "Sua presença nos trens e perto dos trilhos coloca sua vida em perigo".
A crise também impacta a mobilidade regional. A ligação terrestre entre Arábia Saudita e Bahrein foi temporariamente suspensa. "O tráfego de veículos na ponte Rei Fahd foi suspenso como medida de precaução", informou a autoridade responsável.
No campo diplomático, o Japão tenta atuar como mediador. A primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou preparativos para conversas telefônicas com o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, e com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Precisamos nos comunicar tanto com os Estados Unidos como com o Irã, por isso estamos tentando organizar ligações telefônicas com os presidentes dos dois países", afirmou.
Na véspera, Trump havia endurecido o discurso ao declarar que o Irã "poderia ser eliminado em uma única noite, e essa noite poderia muito bem ser a de amanhã (terça-feira)". Ele também afirmou que os Estados Unidos teriam capacidade de destruir infraestruturas estratégicas iranianas em poucas horas.
O Exército iraniano reagiu às declarações, classificando a postura do presidente americano como "retórica arrogante" e afirmando que isso não altera seus planos.


