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Irã e EUA podem retomar negociações nucleares, afirma chanceler

Ministros dos governos do Irã e da Turquia se reuniram em Istambul, onde trataram de tensões políticas no cenário global

Os chanceleres Hakan Fidan, da Turquia (à dir.), e Abbas Araqchi (Irã) durante encontro em Istambul (Foto: Reprodução (Apt/YT))

247 - O governo do Irã afirmou nesta sexta-feira (30) estar pronto para retomar as negociações com os Estados Unidos sobre questões nucleares, em um contexto de intensificação das tensões diplomáticas no Oriente Médio. As declarações foram feitas pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, segundo agências internacionais que acompanharam os encontros diplomáticos realizados em Istambul.

De acordo com agências internacionais, Araghchi se reuniu na Turquia com o chanceler turco, Hakan Fidan, e reiterou a posição oficial de Teerã sobre seu programa nuclear, ao mesmo tempo em que autoridades turcas reforçaram a defesa da via diplomática como única saída para o impasse envolvendo o Irã e o Ocidente.

No encontro em Istambul, Abbas Araghchi declarou que Teerã está aberta a retomar o diálogo com Washington. “O Irã está pronto para voltar às negociações com os Estados Unidos sobre um acordo nuclear”, afirmou o chanceler iraniano.

O ministro reiterou que o país nunca teve a intenção de desenvolver armas nucleares. Segundo ele, “Teerã nunca planejou criar armas nucleares”, acrescentando que o programa nuclear iraniano tem caráter pacífico.

Turquia defende diplomacia como única saída

O tema também foi abordado pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que recebeu o chanceler iraniano. De acordo com Erdogan, a diplomacia é o único caminho possível para resolver a questão nuclear do Irã, e Ancara estaria disposta a contribuir com esforços construtivos.

Durante a reunião, o líder turco transmitiu saudações ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e ao presidente Masoud Pezeshkian, manifestando confiança na capacidade do povo iraniano de enfrentar as dificuldades atuais com unidade nacional.

Em comunicado divulgado após o encontro, a Embaixada do Irã em Ancara afirmou: “O presidente Erdogan afirmou que a diplomacia é a única solução para a questão nuclear iraniana e enfatizou que a Turquia está pronta para quaisquer esforços e medidas construtivas nessa direção”.

Erdogan também ressaltou que a Turquia vem realizando consultas para reduzir tensões regionais e retomar o caminho diplomático, alertando que o Oriente Médio não suportaria novos focos de instabilidade.

Reação do Irã a decisão da União Europeia

As declarações sobre diálogo também ocorrem em meio a um endurecimento do ambiente político internacional. Na quinta-feira (29), o governo iraniano reagiu à decisão da União Europeia de incluir a Guarda Revolucionária Islâmica em sua lista de organizações terroristas.

Em nota oficial, Teerã classificou a medida como um “movimento perigoso”, afirmando que ela amplia as tensões políticas e diplomáticas entre o bloco europeu e a República Islâmica.

O comunicado da chancelaria iraniana, citado por agências internacionais e veículos regionais, acusou a União Europeia de adotar uma postura contraditória e de instrumentalizar o discurso de direitos humanos para justificar a decisão.

Como resposta simbólica, autoridades iranianas instalaram um grande outdoor em uma praça central de Teerã com a imagem de um porta-aviões destruído e a frase: “Quem semeia vento colhe tempestade”.

Peso estratégico do Irã no setor energético

Além do embate político, o Irã mantém papel relevante no mercado global de energia. Dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) indicam que o país foi o sexto maior produtor mundial de petróleo bruto em 2024, com média de 3,2 milhões de barris por dia. O Brasil apareceu em quinto lugar, com 3,3 milhões.

Os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, lideraram a produção global, com 13,2 milhões de barris diários, seguidos por Arábia Saudita, China e Iraque. Os números foram divulgados em 5 de agosto de 2025 pelo jornal Valor Econômico.

Já o World Atlas 2024 apontou o Irã como o terceiro país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em 208,60 bilhões de barris, atrás apenas da Venezuela e da Arábia Saudita.

Pressões e cenário de “guerra híbrida”

Segundo reportagem da TeleSUR, o contexto de pressão internacional sobre o Irã envolve estratégias classificadas por analistas como “guerra híbrida”. O veículo afirma que organizações sediadas em Washington, como o Centro Abdorrahman Boroumand para os Direitos Humanos no Irã e o grupo Ativistas de Direitos Humanos no Irã, são frequentemente citadas como fontes por grandes veículos de comunicação ocidentais.

Ainda de acordo com a TeleSUR, essas entidades recebem financiamento da Fundação Nacional para a Democracia (NED), criada em 1983 sob supervisão do então diretor da CIA, William Casey. A reportagem acrescenta que a pressão externa sobre Teerã também envolve ações atribuídas ao Mossad, serviço de inteligência de Israel, associadas ao governo Trump, ampliando o cenário de tensões regionais em torno do Irã.

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