Irã vê “movimento perigoso” em decisão da Europa sobre Guarda Revolucionária
O país asiático afirmou que a União Europeia defende uma "mentira descarada" ao associar guardas iranianos ao terrorismo
247 - O governo do Irã reagiu duramente nesta quinta-feira (29) à decisão da União Europeia de incluir a Guarda Revolucionária do país em sua lista de organizações terroristas. Em nota oficial, Teerã classificou a medida como um “movimento perigoso”, afirmando que a iniciativa amplia as tensões políticas e diplomáticas entre o bloco europeu e a República Islâmica.
O posicionamento foi divulgado em comunicado da chancelaria iraniana, citado por agências internacionais e veículos regionais, no qual o governo acusa a União Europeia de adotar uma postura contraditória e de instrumentalizar o discurso de direitos humanos para justificar a decisão contra a Guarda Revolucionária.
Segundo o texto, a UE sustenta uma “mentira descarada” ao associar a corporação iraniana a práticas terroristas, caracterizando a decisão como um ato de hipocrisia política. O comunicado afirma ainda que Teerã “reserva seus direitos legítimos e legais” para adotar medidas recíprocas em resposta à ação europeia.
O governo iraniano também contestou números divulgados por organizações não governamentais sobre a situação interna do país. Enquanto ONGs apontam mais de 6 mil mortes nas últimas semanas, as autoridades iranianas afirmam que o total de óbitos registrados é de 3.117.
Movimento dos EUA e mais reações do Irã
O agravamento das tensões ocorre em paralelo a ações dos Estados Unidos na região. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou na última terça-feira (27) que autorizou o envio de mais navios de guerra norte-americanos para áreas próximas ao Irã, como parte de uma estratégia de pressão para forçar negociações que limitem o programa nuclear iraniano.
Em resposta, o governo do Irã denunciou tentativas de interferência externa, especialmente por parte dos EUA. Como gesto simbólico, autoridades iranianas instalaram um grande outdoor em uma praça central de Teerã com a imagem de um porta-aviões destruído e a frase: “Quem semeia vento colhe tempestade”.
Petróleo
Além do embate político e militar, o Irã mantém relevância estratégica no setor energético global. Segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o país foi o sexto maior produtor de petróleo bruto em 2024, com média de 3,2 milhões de barris por dia. O Brasil apareceu logo à frente, em quinto lugar, com 3,3 milhões.
Os Estados Unidos lideraram a produção mundial, com 13,2 milhões de barris diários, seguidos por Arábia Saudita (8,9 milhões), China (4,2 milhões) e Iraque (3,8 milhões). Os números foram divulgados em 5 de agosto de 2025 pelo jornal Valor Econômico.
Já o World Atlas 2024 apontou o Irã como o terceiro país com as maiores reservas comprovadas de petróleo, estimadas em 208,60 bilhões de barris. O ranking é liderado pela Venezuela, com 303,22 bilhões, seguida pela Arábia Saudita, com 267,19 bilhões.
Do quarto ao décimo, a sequência fica da seguinte forma - Canadá (163.63), Iraque (145.02), Emirados Árabes Unidos (113.00 bilhões), Kwait (101.50 bilhões), Rússia (80.00 bilhões), EUA (55.25 bilhões) e Líbia (48.36).
Guerra híbrida
De acordo com reportagem da TeleSUR, o contexto de pressão internacional sobre o Irã também envolve estratégias classificadas por analistas como “guerra híbrida”. O veículo aponta que organizações sediadas em Washington, como o Centro Abdorrahman Boroumand para os Direitos Humanos no Irã e o grupo Ativistas de Direitos Humanos no Irã, são frequentemente utilizadas como fontes por grandes veículos ocidentais, entre eles The Washington Post, BBC e ABC News.
Ainda segundo a TeleSUR, essas entidades recebem financiamento da Fundação Nacional para a Democracia (NED), criada em 1983 sob supervisão do então diretor da CIA, William Casey. A reportagem acrescenta que a pressão externa sobre Teerã não se limita à atuação dos Estados Unidos, citando também o envolvimento do Mossad, serviço de inteligência de Israel, em ações associadas ao governo Trump, ampliando o cenário de tensões regionais em torno do Irã.


