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Irã e Israel suspendem ataques, enquanto Líbano segue sob fogo

Israel suspende ataques ao Irã após pressão de Trump, mas mantém ofensiva militar no Líbano

Bandeiras de Israel (à esq.) e do Irã (Foto: Reprodução I Divulgação)
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247 - Israel decidiu interromper os ataques contra o Irã após uma conversa entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio a uma nova escalada militar no Oriente Médio. A suspensão, no entanto, deve se restringir aos bombardeios em território iraniano, enquanto a ofensiva israelense no Líbano continuará, segundo informações da agência Reuters e da imprensa local.

Trump havia exigido nesta segunda-feira (8) que Israel e Irã interrompessem imediatamente o que chamou de “tiroteio”, depois de uma troca de bombardeios no domingo (7) e na madrugada seguinte. “Israel e o Irã devem parar imediatamente o ‘tiroteio’”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.

A nova crise rompeu o cessar-fogo em vigor desde abril e recolocou a região em um cenário de forte instabilidade. Segundo a emissora israelense Canal 12, a suspensão dos ataques israelenses não se aplica ao Líbano, onde Israel deve manter operações militares nos próximos dias.

Ataques no Líbano seguem no centro da crise

A ofensiva israelense no Líbano foi um dos fatores que motivaram a reação iraniana contra Israel no domingo. Teerã lançou mísseis contra território controlado por Israel, e as forças israelenses responderam com bombardeios contra alvos no Irã.

Ainda segundo a imprensa israelense, os ataques no sul do Líbano devem continuar com intensidade. Reportagem do Canal 12 afirmou também que Beirute poderá voltar a ser alvo de bombardeios caso o Hezbollah mantenha ataques contra o norte de Israel.

O governo israelense ainda não havia confirmado oficialmente a interrupção dos ataques contra o Irã. Mais cedo, as Forças Armadas de Israel divulgaram imagens da ofensiva realizada em território iraniano, apresentada como resposta aos mísseis disparados por Teerã.

Israel diz ter atingido sistemas de defesa aérea iranianos

As Forças Armadas de Israel afirmaram que os ataques atingiram sistemas de defesa aérea no Irã. Segundo o comunicado israelense, as estruturas abrigavam mísseis destinados a atingir aeronaves.

“A Força Aérea Israelense atacou alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano no oeste e centro do Irã há pouco”, disseram as forças de Israel em suas redes sociais.

Explosões foram registradas em Teerã, Tabriz e Isfahan, de acordo com a rede Al Jazeera. O site americano Axios informou que Israel realizou ataques contra “alvos militares” no Irã na manhã de segunda-feira, noite de domingo no horário de Brasília.

A Guarda Revolucionária do Irã confirmou ter disparado mísseis contra uma base militar israelense. Não havia registros de feridos nos bombardeios iranianos. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram interceptações feitas pelo sistema Domo de Ferro nos céus controlados por Israel.

Irã responsabiliza os Estados Unidos

O governo iraniano acusou os Estados Unidos de responsabilidade pela nova troca de ataques com Israel. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que as ações israelenses não podem ser separadas das políticas adotadas por Washington.

Segundo Baghaei, os bombardeios agravaram o que classificou como um “processo diplomático caótico” com os Estados Unidos e ampliaram a desconfiança de Teerã em relação ao governo norte-americano.

Baghaei também disse que os Estados Unidos têm responsabilidade direta pelas recentes violações do cessar-fogo e declarou que Israel não toma decisões independentes sem consultar Washington.

Trump tenta preservar negociação com Teerã

A pressão de Trump ocorre em meio a negociações entre Washington e Teerã para um possível acordo de paz. O presidente norte-americano tentou, na semana anterior, estabelecer um cessar-fogo envolvendo Israel e o Hezbollah, que atua no Líbano.

Israel, no entanto, violou a trégua ao bombardear Beirute. Depois disso, Trump telefonou para Netanyahu e pediu que Israel não respondesse militarmente ao Irã.

Ao jornal Financial Times, Trump afirmou que Netanyahu “não tinha opção” a não ser aceitar o acordo de paz entre Washington e Teerã, porque seria ele, Trump, quem “dá as cartas”. O entendimento ainda está em negociação e não foi assinado.

“Estamos próximos de um acordo [de paz] final com o Irã, eu não quero estragar tudo por causa do que está acontecendo agora”, disse Trump ao site Axios.

Bases dos EUA entram no radar de Teerã

A crise também elevou a tensão em torno da presença militar norte-americana no Oriente Médio. O Irã declarou que as 19 bases dos Estados Unidos na região voltaram a ser consideradas “alvos legítimos”. A ameaça também foi estendida a ativos israelenses.

Os Estados Unidos mantêm bases militares em países como Emirados Árabes Unidos, Omã, Arábia Saudita, Iraque e Egito. Após a declaração iraniana, o Iraque anunciou o fechamento de seu espaço aéreo e a suspensão dos serviços de navegação aérea por 72 horas. O Irã também fechou seu espaço aéreo.

O anúncio iraniano foi feito por Mohammad Qalibaf, principal negociador do país nas conversas com os Estados Unidos, presidente do Parlamento e uma das figuras centrais do poder em Teerã.

“Eles não estão comprometidos com um cessar-fogo nem acreditam no diálogo e, por meio do bloqueio naval e da violação dos acordos relativos ao Líbano, demonstraram que só entendem a linguagem do poder”, afirmou Qalibaf em publicação nas redes sociais.

Ataque ao Líbano desafia promessa de Trump

A ofensiva israelense no Líbano também representou um desafio direto a Trump, que havia afirmado na semana anterior que Israel não voltaria a bombardear o país. As divergências entre Estados Unidos e Israel sobre o alcance da trégua provocaram atritos entre Trump e Netanyahu.

Trump se referia aos ataques frequentes de Israel contra o Líbano mesmo durante o cessar-fogo no conflito do Oriente Médio. O Paquistão, que atua como mediador, e o Irã defendem que o Líbano estava incluído na trégua. Já Estados Unidos e Israel sustentam que o acordo se limitava a ataques em território iraniano e em países do Golfo Pérsico.

Na semana passada, o presidente norte-americano também afirmou que Israel e o Hezbollah haviam concordado com uma pausa nos ataques no Líbano e no norte do território israelense. Israel mantém operações no Líbano contra o Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã e responsável por ataques frequentes contra o norte de Israel.

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