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Itália não participará de ataques dos EUA e Israel contra o Irã, diz Meloni

Primeira-ministra afirma que Roma buscará saída diplomática para a crise e admite medidas contra empresas que especularem com a alta dos preços da energia

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni - 02/10/2025 (Foto: Thomas Traasdahl/Ritzau Scanpix via Reuters)

247 – A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou nesta quarta-feira que seu país não participará dos ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã e que seguirá defendendo uma solução diplomática para a crise. A informação foi publicada pela Bloomberg, com base em declarações da premiê ao Parlamento italiano.

Segundo Meloni, a posição do governo italiano é clara diante da escalada militar no Oriente Médio. “A Itália não está participando e não participará” da guerra em curso no Irã, declarou ela aos parlamentares. Na mesma manifestação, a premiê classificou a ampliação do conflito como parte de uma crise mais ampla do “direito internacional”.

A fala de Meloni sinaliza uma tentativa de demarcar a posição italiana em meio ao agravamento das tensões regionais. Ao se afastar de uma participação militar direta, Roma busca se apresentar como ator diplomático em um momento que a própria premiê descreveu como um dos mais delicados da história recente.

Meloni afirmou que a crise envolvendo o Irã representa um dos momentos mais complexos dos últimos tempos e apelou à oposição para que se una ao governo na defesa dos interesses italianos. A declaração também indica que o tema passou a ocupar o centro do debate político interno, numa conjuntura em que segurança internacional, energia e estabilidade econômica se entrelaçam.

De acordo com a premiê, a Itália trabalhou ao lado de Catar e Omã numa tentativa de evitar uma intervenção militar antes do início da guerra. A menção a esses esforços revela que o governo italiano buscou participar de iniciativas de contenção diplomática ainda na fase anterior ao confronto aberto.

Meloni também ressaltou que a Itália mantém há muito tempo canais abertos com Teerã. Segundo ela, o país sediou no ano passado duas rodadas de negociações nucleares, o que reforça a intenção de Roma de preservar interlocução com o governo iraniano mesmo em um ambiente internacional cada vez mais tensionado.

A declaração da chefe de governo italiana ganha peso num cenário em que várias potências ocidentais vêm sendo pressionadas a definir com mais clareza seu grau de envolvimento político, militar e diplomático na crise. Ao insistir que a Itália não integrará a ofensiva, Meloni tenta preservar margem de atuação para o diálogo e, ao mesmo tempo, proteger os interesses nacionais diante dos reflexos econômicos do conflito.

Um dos pontos centrais destacados por Meloni foi justamente o impacto da guerra sobre o mercado de energia. Ela afirmou que o governo poderá agir contra empresas que estejam especulando em meio à disparada dos preços energéticos provocada pela guerra. Sem detalhar as medidas, reiterou que o Executivo está pronto para ampliar a taxação das companhias envolvidas.

Essa sinalização mostra preocupação com um dos efeitos mais sensíveis da instabilidade geopolítica: o repasse dos choques internacionais para o custo de vida e para a economia doméstica. Em países europeus altamente dependentes da segurança energética, a alta dos preços do setor costuma produzir efeitos rápidos sobre inflação, indústria e poder de compra da população.

Ao mencionar a possibilidade de novas taxações, Meloni procura demonstrar que seu governo poderá reagir não apenas no plano diplomático, mas também no econômico, caso haja movimentos considerados abusivos por parte de empresas beneficiadas pela turbulência internacional. Trata-se de um recado político relevante num momento em que a guerra ameaça aprofundar inseguranças já presentes no continente europeu.

A posição italiana, portanto, combina dois eixos: recusa em participar da ofensiva militar e defesa de instrumentos diplomáticos e econômicos para enfrentar a crise. Nas palavras da própria premiê, a Itália pretende manter distância da guerra, ao mesmo tempo em que tenta atuar para conter seus efeitos e buscar uma solução negociada.

Com isso, Meloni procura colocar a Itália como um país que não quer ampliar a frente militar no Oriente Médio, mas sim preservar capacidade de mediação e proteger sua economia. Em meio a uma conjuntura internacional marcada por fortes tensões, sua mensagem ao Parlamento foi inequívoca: Roma não entrará na guerra e seguirá apostando na diplomacia.

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